As Três Figuras Centrais
          da Fé Bahá'í
           Lenine Fiuza Lima
           




          A VIDA DE BAHÁ’U’LLÁH

          O Mensageiro de Deus para estes tempos
           
           
           

             
          Bahá’u’lláh, Glória de Deus!
          Nasceu na Pérsia, em Teerã.
          Era 12 de novembro
          Onde hoje é o solo do Irã.
          No seu berço rico e nobre
          Surgiu como um talismã,

          Em pleno império do Islã
          E, no século passado,
          Foi que Mirzá Husayn Ali
          - é o nome que Lhe foi dado
          Recebeu carinho e bens
          Em Seu lar nobre e abastado.

          Mas o bem por Deus mandado,
          O amor de maior grandeza
          Muito mais que uma linhagem,
          Era a infinita riqueza
          De ser sábio e ser gentil
          Neste mundo de incerteza,

          A iluminada beleza
          Do Seu Ser, desde criança,
          Era um milagre de luz
          A clarear, com segurança,
          As questões mais complicadas,
          A dor e a desesperança,
           

          Vinha de Deus essa herança
          De, sem a escola ter ido,
          Ser assim - puro e bondoso
          Digno, culto e escolhido
          Para falar de justiça
          Num mundo tão dividido.

          Até Seu Pai, que era tido
          Ser um ministro decente,
          Foi falsamente acusado
          Por certo tipo de gente.
          Bahá’u’lláh provou na corte
          Que ele era honesto e inocente.

          Para ter vida de crente,
          Desposou Ásiyih Khánum,
          Que dos filhos que Lhe deu
          - por Seu perfil incomum -,
          ‘Abdu’l-Bahá se tornou
          A Ceia do Seu Jejum,

          E farto como nenhum
          Do divino pensamento
          Do Seu Pai, seria o Selo
          Da Unidade e o Provimento
          Dos Mistérios e Sinais
          Da Letra e do Testamento,
           

          Porquanto, em nenhum momento,
          Este  filho esteve ausente.
          Desde o exílio para o Iraque,
          Na travessia inclemente
          Das montanhas desoladas,
          Esteve sempre presente.

          E a alma do Pai, docemente,
          Lhe disse que dedicasse
          A vida aos pobres e fracos.
          E por onde Ele passasse
          E visse um desamparado,
          Sua desdita amparasse.

          Por isso, diante do impasse
          De ser ministro de alguém,
          Bahá’u’lláh, órfão de Pai,
          Serenamente também
          Recusou as honrarias
          Pra ter as Graças do Além.

          Foi assim que a esse bem
          Se apegou, abandonando
          As terras, o luxo, a herança.
          E, nesse instante, abraçando
          A causa do Báb, fez-Se
          Um seguidor doce e brando,
           

          A história conta que é, quando
          O poder dos maus se abala,
          Que eles usam a força bruta
          E, se o justo não se cala,
          Eles prendem, afligem e matam
          Pois, morto, o justo não fala,

          Mas a voz de Deus exala
          Seu perfume em cada escrito.
          Bahá’u’lláh, mesmo no cárcere
          Em Teerã, como um proscrito
          Preso às correntes de ferro,
          Era santo, era bendito.

          E, nesse lugar maldito,
          Sua alma resplandeceu!
          A revelação divina,
          De repente, aconteceu!
          E a missão, a essência e a fé
          Das mãos de Deus recebeu.

          Orou, pensou, escreveu
          E, em dez anos de segredo,
          Foi exilado no Iraque,
          Enfrentou ameaça e medo,
          Com a família e os seguidores
          Nas agruras do degredo,
           

          Em Bagdá, muito cedo,
          Judeus, cristãos, maometanos,
          Professantes de Zoroastro,
          Notáveis e soberanos,
          Gente leiga e sacerdotes
          Vinham abrandar-Lhe esses danos.

          Mas sempre existem tiranos.
          E os mullás se revoltaram.
          Foram aos governos do Irã
          E dos turcos, e falaram:
          Disseram muitas mentiras,
          Só acusaram e acusaram ...

          Por tudo que eles tramaram,
          O exílio havia de vir.
          Mas, antes, em Bagdá,
          Num Jardim, Deus a sorrir
          Fez que Ele se proclamasse
          Aquele que veio unir.

          Unir a terra e aplaudir
          A humanidade reunida.
          Declarar chegado o tempo
          De mais amor, de mais vida:
          Uma Nova Ordem pro mundo,
          De paz - por Deus prometida,
           

          Assim se deu e, em seguida,
          Padeceu como exilado:
          Partiu de Constantinopla
          E terminou confinado
          Em Akká, mas era livre
          Pois tinha Deus ao seu lado.

          Assim mesmo encarcerado,
          Porque trazia na vida
          As mensagens do senhor
          na Palavra Prometida,
          Rompeu trevas e silêncios
           - sua Missão foi cumprida.

          E a Causa está redigida,
          Tudo por Deus foi mandado:
          Nas orações, nas epístolas,
          Nos escritos revelados
          E nas letras majestosas
          Do Seu Livro Mais Sagrado,

          Longe na idade, cansado
          Das torturas e aflições,
          Assinou Seu Testamento
          Cheio de fé e orações
          E a Deus entregou o Espírito,
          Suas obras e canções.
           

          E entregou aos corações
          Esta beleza de história!
          Nós vamos contá-la ao mundo!
          Dizer num culto à memória
          Que Deus ao ver Bahá’u’lláh
          Exclamou: - “eis Minha Glória!”