As Três Figuras Centrais
          da Fé Bahá'í
           Lenine Fiuza Lima


          A VIDA DO BÁB

          O Precursor Daquele Que Deus Prometeu Para Estes Tempos
           
           

          Numa casa enobrecida
          Por bens e por fidalguia,
          Ele nasceu e, bem cedo,
          Mostrou o dom que existia
          Dentro de Si: um talento
          De encanto e sabedoria.

          Já na infância surpreendia
          Os homens doutos e cultos.
          Além de Sua beleza,
          Guardava dotes ocultos
          Que apenas se revelavam
          Na fala dos grandes vultos,

          Causava graves tumultos
          Na mente dos arrogantes.
          Todavia, era sereno
          Se demonstrava aos farsantes
          A verdade que arrancava
          A máscara dos seus semblantes.

          Nesses tempos inquietantes
          De reis e de imperadores,
          Surgia a indústria das máquinas
          Com seus terríveis vapores
          E as engrenagens ruidosas,
          Na Europa dos inventores,
           

          E viriam os ditadores,
          A indústria dos armamentos,
          Os civis sob os escombros
          Dos seus próprios monumentos
          E a força bruta das guerras
          No lugar dos pensamentos.

          Antevendo esses momentos
          Terríveis para a humanidade,
          Foi que o Báb veio ao mundo,
          Em Shiráz - uma cidade
          Onde o clero muçulmano
          Era a lei, era a verdade.

          E julgava sem piedade
          Quem se atrevesse a negar
          Que Maomé não fora o último
          Profeta a nos revelar
          A Palavra do Senhor,
          Sem mais nada  a  acrescentar.

          Como, então, acreditar
          No Arauto do Prometido?
          Naquele que desdizia
          Esse clero endurecido
          Pela arrogância dos cargos,
          Nas próprias trevas perdido?
           

          Entretanto, Ele era ouvido
          por homens de cabedais;
          gente do povo e governo
          - pois somos todos iguais
          Perante o Espírito Santo
          Que reina em nome da Paz.

          E o menino de Shiráz,
          Na Pérsia tão dividida,
          Crescera, lançara a causa
          Da humanidade reunida,
          Com Dezoito seguidores
          - dezoito “Letras da Vida”!
           

          Sua existência vivida
          Foi como um clarão, que some
          Na mais escura das noites,
          Noites de insônia e de fome,
          De injustiça, de prisão
          E da morte que consome.

          Clarão que não há quem dome
          Porque reluz no infinito.
          Deus recolhe nos Seus lábios,
          Transforma-O no imenso grito
          Que estremece o céu e a terra,
          O ar, o deserto, o granito!

          Clarão de um Mártir proscrito
          Por sacerdotes hostis,
          Obscuros e sinistros
          Cujos sombrios perfis,
          Se houve luz que os revelasse
          Foram os tiros dos fuzis.

          Mas, o que são tais ardis,
          Se dos males o Poder
          Do Senhor nos livra; e, livres,
          -   com os nossos “olhos de ver” -
          Lemos as Novas Mensagens
          Que Deus mandou escrever?

          Eis o Mistério do Ser
          Cuja Mão tem como guia
          O pensamento que move
          O Profeta e a Profecia,
          Faz o tempo acontecer
          Naquele que ora e vigia!

          A mais sublime harmonia
          É viver em comunhão
          Com o Mestre que fez a voz,
          Fez a mente e o coração,
          Fez a palavra e a escrita,
          O sentimento e a razão.
           

          Fez a bondade e o perdão
          Para que todo tormento,
          Que amargasse as faces do homem
          Por causa do fingimento,
          Se transformasse em doçura
          Depois do arrependimento.

          Esse belo Ensinamento,
          Com seus Sagrados Mistérios,
          Foi apenas em seis anos
          O maior dos ministérios,
          Que ultrapassou as fronteiras
          Dos mais temíveis impérios.

          E, na alma dos homens sérios,
          Desperta a nova consciência
          De que as artes - são uma dádiva,
          De que é um presente - a ciência,
          Não espinhos da discórdia,
          Mas flores da convivência!

          Com extrema benevolência
          Ele expôs essas Lições.
          Pediu que a boca dos homens
          Falasse pelas nações,
          Jamais que as nações falassem
          Pela boca dos canhões.
           

          Nem mesmo as perseguições,
          Os açoites, as torturas,
          O martírio e a própria morte
          Aquele Olhar de ternuras
          Apagaram, e aquele Olhar
          Ele levou às alturas.

          E, assim, de quantas criaturas
          Deus escolhe e nos envia,
          Ali Muhammad - o Báb -
          É a Suave Mão que nos guia
          E, hoje, no Monte Carmelo,
          Parece que nos vigia,

          Na Sagrada Moradia
          Lança os Olhos sobre nós.
          O Seu olhar tem o brilho
          E a luz de milhões de sóis.
          Para nos ver quando oramos,
          Para escutar nossa voz.