A VIDA DO BÁB
O Precursor Daquele Que Deus Prometeu Para
Estes Tempos
Numa casa enobrecida
Por bens e por fidalguia,
Ele nasceu e, bem cedo,
Mostrou o dom que existia
Dentro de Si: um talento
De encanto e sabedoria.
Já na infância surpreendia
Os homens doutos e cultos.
Além de Sua beleza,
Guardava dotes ocultos
Que apenas se revelavam
Na fala dos grandes vultos,
Causava graves tumultos
Na mente dos arrogantes.
Todavia, era sereno
Se demonstrava aos farsantes
A verdade que arrancava
A máscara dos seus semblantes.
Nesses tempos inquietantes
De reis e de imperadores,
Surgia a indústria das máquinas
Com seus terríveis vapores
E as engrenagens ruidosas,
Na Europa dos inventores,
E viriam os ditadores,
A indústria dos armamentos,
Os civis sob os escombros
Dos seus próprios monumentos
E a força bruta das guerras
No lugar dos pensamentos.
Antevendo esses momentos
Terríveis para a humanidade,
Foi que o Báb veio ao mundo,
Em Shiráz - uma cidade
Onde o clero muçulmano
Era a lei, era a verdade.
E julgava sem piedade
Quem se atrevesse a negar
Que Maomé não fora o último
Profeta a nos revelar
A Palavra do Senhor,
Sem mais nada a acrescentar.
Como, então, acreditar
No Arauto do Prometido?
Naquele que desdizia
Esse clero endurecido
Pela arrogância dos cargos,
Nas próprias trevas perdido?
Entretanto, Ele era ouvido
por homens de cabedais;
gente do povo e governo
- pois somos todos iguais
Perante o Espírito Santo
Que reina em nome da Paz.
E o menino de Shiráz,
Na Pérsia tão dividida,
Crescera, lançara a causa
Da humanidade reunida,
Com Dezoito seguidores
- dezoito “Letras da Vida”!
Sua existência vivida
Foi como um clarão, que some
Na mais escura das noites,
Noites de insônia e de fome,
De injustiça, de prisão
E da morte que consome.
Clarão que não há quem dome
Porque reluz no infinito.
Deus recolhe nos Seus lábios,
Transforma-O no imenso grito
Que estremece o céu e a terra,
O ar, o deserto, o granito!
Clarão de um Mártir proscrito
Por sacerdotes hostis,
Obscuros e sinistros
Cujos sombrios perfis,
Se houve luz que os revelasse
Foram os tiros dos fuzis.
Mas, o que são tais ardis,
Se dos males o Poder
Do Senhor nos livra; e, livres,
- com os nossos “olhos de ver” -
Lemos as Novas Mensagens
Que Deus mandou escrever?
Eis o Mistério do Ser
Cuja Mão tem como guia
O pensamento que move
O Profeta e a Profecia,
Faz o tempo acontecer
Naquele que ora e vigia!
A mais sublime harmonia
É viver em comunhão
Com o Mestre que fez a voz,
Fez a mente e o coração,
Fez a palavra e a escrita,
O sentimento e a razão.
Fez a bondade e o perdão
Para que todo tormento,
Que amargasse as faces do homem
Por causa do fingimento,
Se transformasse em doçura
Depois do arrependimento.
Esse belo Ensinamento,
Com seus Sagrados Mistérios,
Foi apenas em seis anos
O maior dos ministérios,
Que ultrapassou as fronteiras
Dos mais temíveis impérios.
E, na alma dos homens sérios,
Desperta a nova consciência
De que as artes - são uma dádiva,
De que é um presente - a ciência,
Não espinhos da discórdia,
Mas flores da convivência!
Com extrema benevolência
Ele expôs essas Lições.
Pediu que a boca dos homens
Falasse pelas nações,
Jamais que as nações falassem
Pela boca dos canhões.
Nem mesmo as perseguições,
Os açoites, as torturas,
O martírio e a própria morte
Aquele Olhar de ternuras
Apagaram, e aquele Olhar
Ele levou às alturas.
E, assim, de quantas criaturas
Deus escolhe e nos envia,
Ali Muhammad - o Báb -
É a Suave Mão que nos guia
E, hoje, no Monte Carmelo,
Parece que nos vigia,
Na Sagrada Moradia
Lança os Olhos sobre nós.
O Seu olhar tem o brilho
E a luz de milhões de sóis.
Para nos ver quando oramos,
Para escutar nossa voz.