A VIDA DE 'ABDU'L-BAHÁ
O Servo e Perfeito Exemplo
dos Ensinamentos
Nenhuma glória do Céu
Há de ser glória na Terra
Se o corpo do Homem de Fé
Aqui, no mundo, se enterra
E junto com ele, no túmulo,
A sua Causa se encerra.
Por isso mesmo, não erra
Quem escolhe um sucessor;
Dá-lhe os Ensinos Sagrados
E exalta o seu destemor
De servir à Humanidade
Por Deus, o Nosso Senhor,
Bendito quem vê o amor
Radiante em seu próprio filho
Que sem lar, que sem escola,
Que faminto e maltrapilho
Sofreu com o Pai 4o anos
De humilhações e de exílio.
No olhar Dele havia um brilho
Que com nada se compara.
Se em Seus olhos uma lágrima
Caía, a lágrima rara
Era uma gota de luz
Esplendidamente clara.
Luz que ilumina e que ampara
O rosto dos que padecem ...
O olhar de ‘Abdu’l-Bahá
- como jasmins que florescem
Nos dias de primavera –
Se enramava pelas faces
Dos que aos Seus olhos se dessem.
Bahá’u’lláh (sem que o dissessem)
Esse fulgor descobrira.
Dera Seu filho aos espinhos
Da calúnia e da mentira,
Para florir como os campos,
Para cantar como a lira.
Ele nascera e florira
Em maio - no mesmo dia
Em que fora declarada
A Missão que o Pai trazia,
Que num jardim de Bagdá,
Mais tarde, revelaria.
E ao despertar o que via?
O Seu Pai acorrentado
Porque afirmara que Deus
Também andava ao seu lado.
Não apenas nas mesquitas,
Comodamente sentado.
E muito menos calado,
Longe do mundo e de nós.
Se Maomé falou por Ele,
Não se admite que, após,
Deus haja ficado mudo,
Deus haja perdido a voz.
E um tempo muito feroz
De crueldade e desrespeitos
Exigia que Jesus
Voltasse, e aqueles preceitos
Pelos quais morreu, lembrasse
Aos que violavam os direitos.
Deus mostrou-Lhe os preconceitos,
A intolerância das castas,
O fanatismo das seitas,
A tortura das vergastas,
A divisão dos mercados
E as ambições mais nefastas,
Diz a Crença que outras hastas
O feriram e padeceu,
Sob a infâmia de outro jugo,
Escarnecido sofreu,
Foi julgado e condenado
E novamente morreu.
Não pelas mãos de um judeu,
Não nas traves de uma cruz,
Pois não são tais episódios
Que identificam jesus.
Diante das armas das trevas,
Ele é a Palavra da Luz.
É o Verbo que nos induz
A ter um lar, um país,
Numa família que reze
E faça o que a prece diz:
Quem não tiver paz de espírito
Jamais há de ser feliz,
Foi isto que o Báb quis
Repetindo Jesus Cristo.
E, assim como João Batista,
Por muitos também foi visto
Predizendo um Mensageiro
De Deus, no tempo previsto.
Este Sagrado Registro
Aconteceu, finalmente:
Bahá’u’lláh trouxe a Mensagem,
E Ela está nas mãos da gente
Graças ao Seu Filho Amado
E ao Senhor Onipotente.
Filho que, estando presente,
Sob as luzes do proscênio,
Nos grandes palcos do mundo,
Deus fez dele o Mestre e o Gênio
Da Unidade das Nações,
No final deste milênio.
E no Livro do Convênio
Deu a planta do edifício
A quem edificaria
- porque dominava o ofício -
a ciência dos alicerces,
As artes do frontispício.
Porque somente artifício
O cruel império otomano
Se desmorona. Tem fim
Aquele poder insano
Que O prendera e, como ao Pai,
Acusara de profano.
Enquanto esse desumano
Império de ódio e cobiça
Desaba, por toda a Terra
Pra celebrar sua Missa,
Surgem a Fé Bahá’í e a Casa
Universal da Justiça.
Ergueu-se bela e inteiriça
Como era inteiriço e belo
Aquele Espírito Altivo
Cujo olhar, doce e singelo,
Fez mais santa a Terra Santa
No altar do Monte Carmelo.
Em meio a tanto libelo,
Nenhum mal guardou Consigo!
Em Akká e em Haifa, acolheu
- debaixo de um mesmo abrigo –
Seus rivais, Seus seguidores,
O rico, o pobre, o mendigo.
E, sem pensar no perigo
Dos conflitos e das lutas,
Viajou a Europa e a América,
Com a mais reta das condutas,
Foi a igrejas, sinagogas
E onde existissem disputas.
Nas cansativas labutas,
Jamais demonstrou cansaço.
Tinha um sorriso nos lábios;
Nos braços, tinha um abraço,
E levava Deus Consigo
Pelo Tempo e pelo Espaço,
‘Abdu’l-Bahá, passo a passo,
Foi preparando a partida.
E ao Seu neto, Shoghi Effendi,
- com o adeus da despedida
pediu que guardasse a Casa
E, então, partiu desta vida.
Estava a Missão cumprida,
Sem pompas nem apogeus.
Ensinara as Escrituras,
Não os pensamentos seus,
Mas as Palavras Sagradas
Que recebera de Deus.