As Três Figuras Centrais
          da Fé Bahá'í
           Lenine Fiuza Lima
           



          A VIDA DE 'ABDU'L-BAHÁ

          O Servo e Perfeito Exemplo dos Ensinamentos
           

           

          Nenhuma glória do Céu
          Há de ser glória na Terra
          Se o corpo do Homem de Fé
          Aqui, no mundo, se enterra
          E junto com ele, no túmulo,
          A sua Causa se encerra.

          Por isso mesmo, não erra
          Quem escolhe um sucessor;
          Dá-lhe os Ensinos Sagrados
          E exalta o seu destemor
          De servir à Humanidade
          Por Deus, o Nosso Senhor,

          Bendito quem vê o amor
          Radiante em seu próprio filho
          Que sem lar, que sem escola,
          Que faminto e maltrapilho
          Sofreu com o Pai 4o anos
          De humilhações e de exílio.

          No olhar Dele havia um brilho
          Que com nada se compara.
          Se em Seus olhos uma lágrima
          Caía, a lágrima rara
          Era uma gota de luz
          Esplendidamente clara.

          Luz que ilumina e que ampara
          O rosto dos que padecem ...
          O olhar de ‘Abdu’l-Bahá
          - como jasmins que florescem
          Nos dias de primavera –
          Se enramava pelas faces
          Dos que aos Seus olhos se dessem.

          Bahá’u’lláh (sem que o dissessem)
          Esse fulgor descobrira.
          Dera Seu filho aos espinhos
          Da calúnia e da mentira,
          Para florir como os campos,
          Para cantar como a lira.

          Ele nascera e florira
          Em maio - no mesmo dia
          Em que fora declarada
          A Missão que o Pai trazia,
          Que num jardim de Bagdá,
          Mais tarde, revelaria.

          E ao despertar o que via?
          O Seu Pai acorrentado
          Porque afirmara que Deus
          Também andava ao seu lado.
          Não apenas nas mesquitas,
          Comodamente sentado.

          E muito menos calado,
          Longe do mundo e de nós.
          Se Maomé falou por Ele,
          Não se admite que, após,
          Deus haja ficado mudo,
          Deus haja perdido a voz.

          E um tempo muito feroz
          De crueldade e desrespeitos
          Exigia que Jesus
          Voltasse, e aqueles preceitos
          Pelos quais morreu, lembrasse
          Aos que violavam os direitos.

          Deus mostrou-Lhe os preconceitos,
          A intolerância das castas,
          O fanatismo das seitas,
          A tortura das vergastas,
          A divisão dos mercados
          E as ambições mais nefastas,

          Diz a Crença que outras hastas
          O feriram e padeceu,
          Sob a infâmia de outro jugo,
          Escarnecido sofreu,
          Foi julgado e condenado
          E novamente morreu.

          Não pelas mãos de um judeu,
          Não nas traves de uma cruz,
          Pois não são tais episódios
          Que identificam jesus.
          Diante das armas das trevas,
          Ele é a Palavra da Luz.

          É o Verbo que nos induz
          A ter um lar, um país,
          Numa família que reze
          E faça o que a prece diz:
          Quem não tiver paz de espírito
          Jamais há de ser feliz,

          Foi isto que o Báb quis
          Repetindo Jesus Cristo.
          E, assim como João Batista,
          Por muitos também foi visto
          Predizendo um Mensageiro
          De Deus, no tempo previsto.

          Este Sagrado Registro
          Aconteceu, finalmente:
          Bahá’u’lláh trouxe a Mensagem,
          E Ela está nas mãos da gente
          Graças ao Seu Filho Amado
          E ao Senhor Onipotente.
           

          Filho que, estando presente,
          Sob as luzes do proscênio,
          Nos grandes palcos do mundo,
          Deus fez dele o Mestre e o Gênio
          Da Unidade das Nações,
          No final deste milênio.

          E no Livro do Convênio
          Deu a planta do edifício
          A quem edificaria
          - porque dominava o ofício -
           a ciência dos alicerces,
          As artes do frontispício.

          Porque somente artifício
          O cruel império otomano
          Se desmorona. Tem fim
          Aquele poder insano
          Que O prendera e, como ao Pai,
          Acusara de profano.

          Enquanto esse desumano
          Império de ódio e cobiça
          Desaba, por toda a Terra
          Pra celebrar sua Missa,
          Surgem a Fé Bahá’í e a Casa
          Universal da Justiça.
           

          Ergueu-se bela e inteiriça
          Como era inteiriço e belo
          Aquele Espírito Altivo
          Cujo olhar, doce e singelo,
          Fez mais santa a Terra Santa
          No altar do Monte Carmelo.

          Em meio a tanto libelo,
          Nenhum mal guardou Consigo!
          Em Akká e em Haifa, acolheu
          - debaixo de um mesmo abrigo –
          Seus rivais, Seus seguidores,
          O rico, o pobre, o mendigo.

          E, sem pensar no perigo
          Dos conflitos e das lutas,
          Viajou a Europa e a América,
          Com a mais reta das condutas,
          Foi a igrejas, sinagogas
          E onde existissem disputas.

          Nas cansativas labutas,
          Jamais demonstrou cansaço.
          Tinha um sorriso nos lábios;
          Nos braços, tinha um abraço,
          E levava Deus Consigo
          Pelo Tempo e pelo Espaço,
           

          ‘Abdu’l-Bahá, passo a passo,
          Foi preparando a partida.
          E ao Seu neto, Shoghi Effendi,
          - com o adeus da despedida
          pediu que guardasse a Casa
          E, então, partiu desta vida.

          Estava a Missão cumprida,
          Sem pompas nem apogeus.
          Ensinara as Escrituras,
          Não os pensamentos seus,
          Mas as Palavras Sagradas
          Que recebera de Deus.