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generoso na prosperidade e grato no infortúnio.
digno da confiança de teu próximo e dirige-lhe um olhar afetuoso e acolhedor.
um tesouro para o pobre, advertência ao rico, resposta ao clamor do necessitado, guarda fiel da santidade de tua
promessa.
reto no teu julgamento e discreto nas tuas palavras. Com ninguém sejas injusto e a todos mostrai brandura.
como lâmpada para os que caminham nas trevas, alegria para o triste, água para o sedento, refúgio ao abatido, sustentáculo e defesa da vítima da opressão. Integridade e retidão sejam a divisa de todos os teus atos.
Sê  lar para o forasteiro, bálsamo para o sofredor, fortaleza para o perseguido.
olhos para os cegos e farol para os pés dos desencaminhados.
Na face da verdade, sê adorno; coroa, na fronte da fidelidade; coluna no templo da retidão; sopro de vida, no corpo da humanidade; emblema dos que buscam a justiça; estrela sobre o horizonte da virtude; orvalho no solo do coração; arca no oceano do conhecimento; sol no céu da generosidade; jóia no diadema da sabedoria; luz radiante no firmamento de tua geração; fruto na árvore da humanidade.

- Bahá'u'lláh


Biografias

Bahá'u'lláh
Báb
'Abdu'l-Bahá


 


 

LEONORA STIRLING ARMSTRONG
1895-1980
Perfil Biográfico

 

Mulher, luz da geração futura - quando nós, as mulheres do mundo, refletirmos sobre o verdadeiro significado deste tema que foi escolhido e à medida que seu pleno significado penetrar cada vez mais profundamente na consciência de cada mulher, deveremos compreender que carinhoso, que supremo privilégio é o nosso e que inescapável dever nos cabe, e assim deveremos nos levantar como nunca antes, para cumprirmos esta nossa primeira obrigação. As mulheres sabem que são as primeiras educadoras da humanidade...

Leonora Stirling Armstrong


Leonora Stirling Armstrong
A primeira bahá'í a se estabelecer no Brasil
Mãe Espiritual dos Bahá'ís da América Latina

Leonora Stirling Armstrong nasceu em 23 de junho de 1895 na cidade de Hudson, em Nova York, nos Estados Unidos da América e faleceu em 17 de outubro de 1980, na cidade de Salvador na Bahia, Brasil. 
 
 
 

 

Foi a primeira bahá'í a vir residir na América do Sul, em particular no Brasil. Sua marcante história aqui no Brasil começou na manhã do dia primeiro de fevereiro de 1921 quando ainda jovem, com apenas vinte e cinco anos, Leonora Stirling Holsaple desembarcava no porto do Rio de Janeiro a bordo do vapor "SS Vasari." Ninguém a esperava no porto. Não havia uma só pessoa conhecida em todo esse estranho e desconhecido país. Somente sua era a tarefa de difundir a Fé que de tão amada lhe fora capaz de arrebatá-la fazendo-a vir com uma coragem indómita para uma país longínquo, de idioma e costumes diferentes - sozinha, mulher, solteira, numa época em que as mulheres não tinham os direitos que hoje têm, sem parentes que pudessem lhe receber, sem conhecido algum, numa região do mundo tida ainda como muito carente e primária, sem recursos ou quaisquer relações. Viera. 
 

O seu currículo era de uma professora formada em Letras pela Universidade de Cornefi, dos Estados Unidos, com especialidade em Latim, e também com estudos da língua alemã, espanhol, esperanto e sua própria língua materna, o inglês, obtendo graduação em Literatura, Astronomia, Botânica, Física e Química. 
 

 

 

 

Obteve seu primeiro emprego num escritório muito simples através de um jovem teosofista da cidade de Santos, São Paulo. Mais tarde começou a ministrar aulas particulares de inglês, fazendo assim contatos para ensinar a Fé Bahá'í. De vez em quando, surgia a oportunidade, para participar como palestrante de conferências nacionais - no primeiro ano de sua estada no Rio de Janeiro, participou de um Congresso Nacional de Esperanto que se estendeu em São Paulo e em Santos e mais tarde em várias outras capitais do país. Seus esforços eram incessantes. Sua fé a fortalecia e dava-lhe a certeza de estar servindo a uma Causa de abrangência mundial, decorrente do poder transformador da criatura humana e do universalismo da Revelação de Bahá'u'lláh, Seu Fundador que, em meados do século passado proclamara: "A Terra é um só país e os seres humanos seus cidadãos." 

Em 1925, em Belém, no Pará foi publicado o primeiro livro traduzido por Leonora para o português: "Paris Talks", no original em inglês, ou "Palestras de 'Abdu'l-Bahá em Paris" como está hoje publicado pela Editora Bahá'í do Brasil. 

 

 

 

Leonora além de oradora, educadora e tradutora era também assistente social, tendo mantido inclusive um orfanato, em Salvador, Bahia, no período de 1928-1930, para crianças abandonadas e carentes. 

Nos primeiros anos no Brasil, ela escolheu Salvador, na Bahia, como sua residência, viajando várias vezes à Belém e a Manaus. Os teosofistas e esperantistas sempre lhe davam muito apoio. Em 1927 artigos e folhetos sobre a Fé Bahá'í foram publicados em Belém, que são também registros da passagem desta mulher maravilhosa e seus serviços prestados naqueles primeiros anos no Brasil. 

 

 

 

Leonora estava constantemente viajando, percorrendo várias cidades deste imenso país e frequentemente ia ao Rio de Janeiro. Em Fortaleza, no Ceará residiu por quatro meses. Nesta ocasião irrompeu uma epidemia de cólera e tifo e lhe foi possível oferecer os seus serviços levando remédios, alimentos e roupas para muitos doentes. Segundo suas próprias palavras: Consistiu em uma experiência emocionante visitá-los em suas casas... e tentar provar-lhes, por meio de ações que a Fé Bahá'í visa a unidade da humanidade." Lá, não somente os pobres lhes foram receptivos mas o serviço com eles ajudaram-na a preparar o caminho para que algumas pessoas ricas recebessem a mensagem, pois quando surgia uma oportunidade para dar uma Conferência Bahá'í no Clube mais elegante da cidade, lá estava ela, Leonora - e, indubitavelmente contava com um bom público, cujo interesse havia sido despertado ao ouvir sobre seus serviços como a "Enfermeira dos Pobres" - assim como ficou conhecida no Ceará. 

Discursava em grandes conferências, em reuniões importantes, em Escolas Públicas, em prisões e a todo instante prestava assistência aos doentes, pobres e necessitados. Percorreu de ponta a ponta, não só no Brasil, como toda América Latina. 

 

Em 1927 foi a primeira bahá'í a visitar e palestrar sobre a Fé Bahá'í na Colômbia, Venezuela, Coracion, Trinidad, Barbados, Haiti, Guiana Inglesa e Guiana Holandesa. 

Como tradutora do inglês, sua língua materna, para o espanhol e para o português, nos legou belíssimas e inúmeras traduções. Ainda na década de sua chegada ao Brasil decidiu viajar para a Espanha a fim de fazer um curso na Universidade de Madrid para aperfeiçoar o seu espanhol. Ela era assim, perfeccionista ao extremo, não contentava com pouco, estava sempre procurando se aprimorar para melhor servir. Foi então, que em 1930 ela embarcou num navio Francês parando em vários portos no oeste da África e depois chegando em Barcelona. Em cada oportunidade ela palestrava sobre a Fé Bahá'í. De Barcelona, ela procedeu para Madrid onde seus esforços foram capazes de formar o primeiro grupo bahá'í espanhol. Ainda neste mesmo ano, estando na Europa, fez peregrinação aos lugares Sagrados no Centro Mundial da Fé Bahá'í, em Haifa, Israel. 

Em Salvador, em 1940 - após 19 anos de seu trabalho dedicado de ensino, de traduções e serviços sociais - foi que Leonora teve a alegria de ver formada oficialmente a primeira Instituição Bahá'í no Brasil: A Assembléia Espiritual Local dos bahá'ís de Salvador, o conselho de consulta, composto por nove membros, eleito anualmente pela comunidade bahá'í em cada localidade. Ela própria era um dos membros daquela Assembléia, junto com os primeiros a abraçarem a Causa Bahá'í naquela cidade. Em seguida formou-se no Rio de Janeiro a segunda Assembléia Espiritual Local e, em 1946 a terceira, na Capital de São Paulo. Em 1961 ela teve a alegria de ver estabelecida a primeira Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís do Brasil. 

Em 1941, Leonora casou-se com o inglês de nome Harold Armstrong que ela havia conhecido anos atrás. Ele foi o seu grande apoio, tornando possível que ela realizasse seus meritórios serviços à Causa a qual dedicara sua vida. Leonora e seu marido residiram em vários lugares no Brasil e, não tendo filhos, adotaram e criaram algumas crianças proporcionando-lhes a educação necessária. 

 

 

 

Esta alma valorosa doou muitas propriedades à Fé no Brasil, que com sacrifício foi adquirido ao longo dos seus anos. Em 1973 foi designada Conselheira pela Casa Universal de Justiça - Instituição máxima da Ordem Administrativa Bahá'í. Os Conselheiros são pessoas abnegadas que atuam a níveis continentais e dedicam o máximo de seu tempo disponível para o ensino e para a proteção da Causa Bahá'í. O Brasil e o mundo pareciam ser pequenos para esta alma desprendida chamada Leonora - seu nome significa "LUZ" e foi justamente isto que ela veio propagar aqui. Sua vida assemelhava-se a uma tocha de fogo a fulminar as pessoas com que entrava em contato. 

 

 

Leonora foi também uma destacada defensora dos direitos da mulher - destacando seu papel de educadoras e como servidoras da causa da paz mundial. A sua mensagem, gravada em fita cassete em Salvador, Bahia, já de seu leito de morte, dias antes de seu passamento, em meados de outubro de 1980, foi dirigida às centenas de mulheres reunidas no Centro de Convenções de Brasília, DF, participantes da Primeira Conferência Bahá'í Latino Americana da Mulher. A seguir alguns excertos de sua mensagem: 
"Mulher, luz da geração futura - quando nós, as mulheres do mundo, refletirmos sobre o verdadeiro significado deste tema que foi escolhido e à medida que seu pleno significado penetrar cada vez mais profundamente na consciência de cada mulher, deveremos compreender que carinhoso, que supremo privilégio é o nosso e que inescapável dever nos cabe, e assim deveremos nos levantar como nunca antes, para cumprirmos esta nossa primeira obrigação. As mulheres sabem que são as primeiras educadoras da humanidade..." 

Tendo residido em Santos, Rio de Janeiro, Salvador e passado os últimos anos em Minas Gerais, na cidade de Juiz de Fora, veio a falecer no dia 17 de outubro de 1980, com 85 anos de idade, na cidade de Salvador, na Bahia, costa oriental do Brasil. Naquele mesmo dia, centenas de  bahá'ís de diversas comunidades da América Latina estavam reunidos em Brasília, participando da I Conferência Bahá'í Latino Americana da Mulher. O clímax dessa reunião para promoção da condição da mulher foi o momento em que ecoou pelo auditório do amplo Centro de Convenções uma gravação com suas palavras de saudação aos participantes do evento.