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Capa do
livro com os discursos da Sessão Solene
1
Ao rico,
falai dos suspiros do pobre à meia-noite, para que a indiferença não o
conduza ao caminho da destruição e o prive da Arvore da Riqueza. O dar e o
ser generoso é atributo Meu; bem-aventurado quem se adorna com Minhas
virtudes.
2
Retirai as
vossas mãos da tirania, porque jurei não perdoar a injustiça de nenhum
homem. Este é o Meu Convênio, o qual decretei irrevogavel- mente, na
epístola preservada, e selei com Meu selo de glória.
3
És assim como
uma espada de fina têmpera, oculta na escuridão de sua bainha, cujo valor
se esconde do conheci- mento do artífice. Que saias, pois da bainha do ego
e do desejo, para que teu mérito resplandeça e se manifeste ao mundo
inteiro.
4
Sois as
árvores de Meu jardim; deveis dar frutos belos e maravi- lhosos, para que
vós e outros sejam por eles beneficiados. Assim compete a cada um
ocupar-se em ofícios ou profissões, pois o segredo da riqueza está nisso,
ó homens de compreensão! Resultados dependem de meios e a graça de Deus
vos será toda- suficiente. Árvores infrutíferas sempre foram e serão
destina- das ao fogo.
5
Os mais
ignóbeis dos homens são os que nenhum fruto produ- zem na terra. Tais
homens são, em verdade, contados entre os mortos; ou antes, os mortos
são melhores aos olhos de Deus do que essas almas vadias e sem
valor.
- Bahá'u'lláh
Biografias
Bahá'u'lláh
Báb
'Abdu'l-Bahá
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Sessão
Solene no
Congresso Nacional
1996 Uma homenagem
aos 75 anos da Fé Bahá'í no
Brasil (presença honrosa de
Ruhíyyih Khanum,
esposa do Guardião da Fé, Shoghi
Effendi) |

Congresso Nacional, Brasília, Distrito
Federal
Em 14 de Agosto de 1996,
quarta-feira, 14:30 horas - Senadores, Deputados Federais, Autoridades
Federais do Executivo e do Judiciário, Representantes de Organizações
Não-Governamentais e mais de uma centena de bahá’ís ocupam o plenário do
Congresso Nacional. Pontualmente às 15 horas, todos se postam em pé e
ansiosos dirigem o olhar para a entrada principal do plenário de onde
surge Amatu’l-Bahá Ruhíyyih Khanum... Os corações estão acelerados, as
lágrimas contagiam de terna emoção aquele recinto solene. Estamos
testemunhando o início de um eloqüente tributo de amor e respeito pelos
ensinamentos de Bahá’u’lláh, por Sua vida de serviço à humanidade e pelo
estabelecimento de Sua Fé, há 75 anos passados no Brasil.
Amatu'l-Bahá Ruhíyyih
Khanúm O Presidente da Câmara dos Deputados
abre a Sessão Solene e convida à Mesa dos Trabalhos os representantes
da Comunidade Bahá’í. Deputados representando 14 partidos políticos se
revesam na tribuna enaltecendo os esforços e a vida de Ruhíyyih Khanum
dedicada à promoção da unidade entre os povos do mundo, emocionam-se com
fatos da vida de Bahá’u’lláh, louvam Seus ensinamentos de paz e
unidade, defendem nossos irmãos de fé que sofrem cruel perseguição no
Irã, rendem tributo à memória de Leonora Stirling Armstrong, discorrem
sobre a igualdade de direitos entre homens e mulheres, elogiam a iniciativa
da Comunidade Bahá’í em tornar acessível documentos preciosos como “A
Promessa da Paz Mundial” e “A Prosperidade da Humanidade”, apresentam
testemunhos sobre sua convivência com bahá’ís em suas cidades de origem....
O painel registra a presença de noventa deputados federais no plenário.
São eles, em ordem alfabética:
Adauto Ferreira, Adilson Motta, Adroaldo
Strock, Albérico Cordeiro, Alberto Cordeiro, Alberto Goldman, Alcides
Modesto - (Quem fez uma oração para unidade), Alzira Ewerton, Ana Júlia,
Aníbal Gomes, Antônio Feijão*, Antonio Sérgio Carneiro, Arnaldo Faria Sá,
Arnaldo Madeira, Arthur Virgílio, Augustim Freitas, Ayrton Xerxes,
Benedito Guimarães, Carlos Airton, Carlos Camurça, Ceci Cunha, Célia
Mendes, Costa Ferreira, De Valasco, Domingos Leonelli, Eduardo Jorge,
Emanuel Fernandes, Enio Bacci, Euripedes Miranda, Fernando Diniz, Fetter
Junior, Flávio Arns, Franco Montoro, Gedel Vieira Lima, Genésio
Bernardino, Henrique E. Alves, Herculano Anchinetti, Hilário Coimbra,
Jairo Carneiro, João Coser, João Leão, João Mendes, João Pizzolatti, José
Brilhante, José Coimbra, José Genoino, Junia Maria, Laura Carneiro,
Leônidas Cristino, Luciano Castro, Luciano Zica, Luis Eduardo, Luiz Buaiz,
Luiz Gushiken, Marçal Filho, Marcia C. Viana, Maria Valadão, Marcelo Deda,
Mario Cavallazzi, Nelson Branco, Nelson Meuser, Nilton Temer, Odílio
Balbonotti, Olávio Rocha, Oscar Goldoni, Padre Roque, Pauderney Avelino,
Paulo Baner, Paulo Bernardo, Paulo Delgado, Paulo Titan, Pedro Wilson,
Ricardo Heráclio, Ricardo Izar, Roberto Campos, Roberto Paulino, Robson
Tuma, Romel Anísio, Salomão Cruz, Salvador Zimbaldi, Samuel Carvalho,
Severino Cavalcanti, Silvio Lopes, Telma Souza, Vadão Gomes, Valdemar
Guedes, Vilma Rocha, Werner Wander, Zulaie Cobra.
Primeiras
páginas do livro com os discursos da Sessão Solene
A seguir, o teor dos pronunciamentos e dos
apartes dessa magnífica Sessão Solene:
“O SR PRESIDENTE (Wilson Campos) - Havendo número regimental,
declaro aberta a sessão. Sob a proteção de Deus e em nome do povo
brasileiro iniciamos nossos trabalhos. A Presidência dispensa a leitura da
ata da sessão anterior. A presente sessão destina-se a homenagear a
ilustríssima Sra. Ruhíyyih Rabbani, primeira dama da Comunidade Bahá’í
Mundial, a requerimento do Deputado Luiz Gushiken, a quem solicito
acompanhar, para compor a Mesa, a homenageada, Sra. Rabbani, o Sr. Shapoor
Monadjem, membro do Centro Mundial Bahá’í, o Sr. Farhad Shayani,
Conselheiro Continental para as Américas e o Sr. Rolf von Czékus, também
Conselheiro.
O SR. PRESIDENTE (Wilson Campos) - iniciando a sessão de
homenagem à Sra. Ruhíyyih Rabbani, concedo a palavra ao Sr. Deputado Luiz
Gushiken, autor da proposição. (Palmas.)
O SR. LUIZ GUSHIKEN (PT-SP) - Sr. Presidente, Sras. e
Srs. Deputados, Ilma. Sra. Ruhíyyih Rabbani, demais membros da comunidade
Bahá’í, minhas senhoras e meus senhores, há quatro anos, exatamente no dia
28 de maio de 1992, esta Casa se enalteceu ao promover sessão solene de
homenagem ao Centenário da Ascensão de Bahá’u’lláh, fundador da Fé Bahá’í.
Na data de hoje, esta Casa promove sessão solene de homenagem à
ilustríssima Sra. Ruhíyyih Rabbani, figura destacada dessa fé religiosa.
Tive a honra, Sr. Presidente, de ser o propositor dessas sessões. E nem
poderia ser de outra forma, visto que fui, como poucos, privilegiado em
conhecer um legado de idéias que movimenta hoje mais de 6 milhões de
pessoas no mundo, e que, no futuro, certamente haverá de infundir, numa
vastidão muito maior de corações e mentes, os mais nobres ideais a que
pode postular o espírito humano. Fui agraciado também, Sr.
Presidente, Sras. e Srs. Deputados, em conhecer uma história ainda pouco
difundida, uma história repleta de lutas, de sofrimentos, convicções,
heroísmos e atrocidades inomináveis que se abateram sobre milhares de
famílias, uma história que o futuro haverá de registrar como uma das mais
belas e tumultuadas páginas do movimento religioso mundial. A Sra.
Rabbani é uma das figuras chaves que ajudam a tecer o fio dessa história
de mais de um século de luta, dedicando para esse objetivo todas as suas
energias físicas e espirituais. Cento e oitenta países
visitados, expedições a centenas de povos indígenas dos mais variados
continentes do mundo, inclusive os nativos da nossa Amazônia, inúmeros
livros publicados em várias línguas, conversações diretas com dezenas de
governantes dos mais variados países, centenas de palestras em inglês,
francês, alemão e persa, tudo isso é a demonstração desse espírito
infatigável que marca a vida da Sra. Rabbani. Uma vida dedicada
à difusão de idéias simples, mas de difícil absorção pelo mundo
contemporâneo, o qual foi transformado em palco de injustiças de toda
ordem, em arena de conflitos extrememente perigosos para a
humanidade. E quais são essas idéias simples que movem esta
singular senhora, que, merecidamente, recebe desta Casa homenagens? Eis
algumas delas: justiça, igualdade entre os homens e mulheres, harmonia
entre ciência e religião; investigação independente da verdade, eliminação
de todos os preconceitos; amabilidade, cortesia e retidão de
caráter. Mas, é na difusão do princípio de unidade do gênero
humano que as idéias defendidas pela Sra. Rabbani encontram plena
expressão e atualidade. Decorre desse princípio a arquitetura do mais
grandioso projeto político jamais imaginado pelo homem: uma instituição
mundial, que com seus poderes Executivo, Legislativo, Judiciário e
Militar, organizada democraticamente a partir da vontade soberana das
nações e capaz de promover a paz mundial e a justiça social. Desse
princípio decorre também a criação de uma lealdade mais ampla entre os
homens, capaz de superar os limites de nacionalidade, religião,
sexo, cor, etc. Foi Bahá’u’lláh quem formulou a idéia-síntese desse
princípio ao afirmar que “A terra é um só país e os seres humanos seus
cidadãos.”
O SR. MARCELO DEDA - Nobre Deputado Luiz Gushiken,
concede-me V. Exa. um aparte?
O SR. LUIZ GUSHIKEN - Com prazer, deputado Marcelo
Deda.
O SR. MARCELO DEDA - Deputado Luiz Gushiken, inicialmente,
gostaria de formular as minhas felicitações a V. Exa. pela idéia,
prontamente acolhida pela Casa, desta sessão especial em homenagem a Sra.
Ruhíyyih Rabbani, Primeira Dama Mundial do Movimento Bahá’í, e, através
desta homenagem a essa ilustre senhora, também a todos aqueles que fazem a
comunidade Bahá’í, a todos aqueles que participam desse movimento, que,
sem dúvida alguma, tem o respeito de todo o mundo. Mas, em função das
idéias que defendem, da fé que pregam, têm merecido inúmeras perseguições,
especialmente no Irã, o que tem sido repelido pela consciência livre do
mundo e, muito em particular, pela Câmara dos Deputados. Com a permissão
de V. Exa., gostaria de trazer um testemunho. Sou Deputado Federal
representando o Estado de Sergipe, o menor Estado da Federação. Muito
embora não integre o movimento Bahá’í, tenho a honra de ter vários amigos
que dele fazem parte, especialmente a Sra. Felora Sherafat que é líder do
movimento no meu Estado. O meu testemunho refere-se à preocupação dos
Bahá’ís em aperfeiçoar as instituições políticas do Brasil, trazendo
contribuições, como, por exemplo, reuniões com representantes, com
dirigentes políticos, suas experiências, reflexões e idéias da fé que
professam. Além disso, em Sergipe dedicam-se a um trabalho social da mais
alta envergadura, na prevenção das drogas. Inclusive, em Convênio com a
Secretaria de Educação do Estado, há todo um trabalho de orientação de
professores para tentar conter o grande número de viciados em álcool e
outras drogas, como se tem verificado nas escolas públicas do meu Estado.
E mais, na defesa do meio ambiente, na participação constante, oferecendo
subsídios e idéias, os bahá’ís, muito embora em pequeno número, já são uma
comunidade que merece o respeito e a consideração de todos os sergipanos.
No próximo mês, a Dra. Felora, pelo seu trabalho, estará recebendo da
Câmara Municipal da nossa capital o título de Cidadã Aracajuana. Portanto,
neste momento em que V. Exa. pronuncia tão brilhante discurso, prestando
esta sincera e justa homenagem aos Bahá’ís e a sua líder, a Sra. Rabbani,
gostaria de associar-me também ao seu discurso e prestar este testemunho
do excelente trabalho que os Bahá’ís fazem no meu Estado. (Palmas)
O SR. LUIZ GUSHIKEN - Acolho com muita alegria o aparte de
V. Exa. foi muito bem lembrada a perseguição que os bahá’ís sofrem no Irã.
Aliás, registro que recentemente recebemos informações que o governo do
Irã, ou melhor, seu Poder Judiciário, havia determinado a morte de um
Bahá’í, através de uma sentença judicial, que está sendo hoje questionada,
e que mostra uma flagrante violação dos direitos humanos naquele
país. É importante o testemunho de V. Exa. para fortalecer essa
luta de pessoas que, como disse, fazem parte de uma história que marca uma
das mais belas páginas do movimento religioso mundial. Nem poderia
ser de outra forma a violência que cometem os líderes religiosos do Irã
sobre os bahá’ís. A Fé Bahá’í nasceu na Pérsia, hoje Irã, e postula
princípios que colidem frontalmente com aquilo que é cultuado naquele
país, como, por exemplo, a igualdade entre homens e mulheres. É evidente
que ao postular essa bandeira a ira do clero religioso iria se abater,
como se abateu. Quem postula a necessidade de investigar de
maneira mais acurada, independente, o processo religioso que marca as
Religiões desde a sua origem não está procurando questionar a validade dos
Profetas, amados por diversas Religiões. Mas, ao pedir a investigação para
que se compreenda melhor o processo das sucessivas revelações ao longo da
história, evidentemente, esse processo, esse método que oferece a Fé
Bahá’í colide com aqueles que defendem a exclusividade da sua Religião,
como é o caso do atual clero muçulmano. Como político, analiso o processo
em curso no Irã e vejo o quanto é importante a manifestação de Deputados
brasileiros na defesa dos bahá’ís do Irã, visto que é inominável a
violência cometida contra eles. Sr. Presidente, eu estava
falando sobre o princípio da unidade do gênero humano e sobre o papel de
destaque que oferece essa proposição na arquitetura daquilo que chamei de
o mais ambicioso projeto político já imaginado pelo ser humano: a
edificação de uma estrutura supranacional que possa governar o mundo, a
partir da idéia de que ele deve ser protegido por uma força unitária,
mundialmente falando. Como os senhores devem estar percebendo, o
universo de idéias que movimenta o espírito da Sra. Rabbani é muito
vasto e profundamente instigante. Mas tendo em vista a exigüidade do tempo
de que disponho, gostaria agora de me dirigir à Sra. Rabbani para
transmitir-lhe a minha profunda admiração por sua pessoa e desejar-lhe os
mais sinceros votos de longa vida. Há dois anos, por ocasião de
minha visita a Haifa, tive o prazer de conhecer a amabilidade e cortesia
da Sra. Rabbani. Ficará sempre em minha lembrança a prazerosa conversa que
tivemos em sua residência, onde morou Abdu’l-Bahá, figura ímpar que a
Comunidade Bahá’í oferece como modelo de conduta humana. Sra.
Rabbani, hoje convidamos os Deputados e os amigos da Fé Bahá’í para
homenageá-la por tudo o que V. Sa. tem feito em prol de uma sociedade mais
justa e mais humana. Como sabe Vossa Senhoria, há quatro anos esta
Casa realizou uma sessão solene pelo Centenário do falecimento de
Bahá’u’lláh. Ouso dizer que, em verdade, nenhuma instituição é, e jamais
será, suficientemente digna de fazer menção àquele que é o autor da mais
poderosa Revelação Religiosa. Por tudo isto, mais do que uma
homenagem a Vossa Senhoria, que de forma tão exemplar defende os ideais de
Bahá’u’lláh, a presente sessão solene é uma honra para esta Casa. Muito
obrigado. (Palmas)
O SR. PRESIDENTE (WILSON CAMPOS) - Concedo a palavra à Exma.
Sra. Deputada Maria Valadão, que falará pelo Bloco Parlamentar, ou
seja, pelo PFL. (Palmas)
A SRA. MARIA VALADÃO (Bloco PFL/GO, pronuncia o seguinte
discurso) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Ilma. Sra Rabbani,
demais autoridades da Fé Bahá’í, senhoras e senhores, foi para mim uma
imensa honra ter sido designada pelo meu partido para, em seu nome, saudar
a ilustre personalidade que ora nos visita, a Sra. Ruhiyyih Rabbani, e
prestar uma justa homenagem à Comunidade Bahá’í Brasileira, no momento em
que comemora os 75 anos da chegada da pioneira da Fé Bahá’í no Brasil,
Leonora Armstrong. Na verdade, não é por mera coincidência que,
nesta sessão, estamos homenageando duas mulheres, assim como não terá sido
por simples acaso que a primeira missão bahá’í no país foi liderada por
uma mulher. Tal fato pode causar surpresa para os seguidores de outros
credos, mas não para quem conhece os ensinamentos da Fé Bahá’í, que
privilegia, de modo ímpar, a ação da mulher na sociedade. Por
sinal, foi um dos fatores que mais provocaram a ira dos contemporâneos do
Báb e de Bahá’u’lláh, pois, se ainda hoje - e mesmo na nossa sociedade
ocidental, tida como mais “desenvolvida”e “progressista”- a
proeminência da mulher na vida social, profissional e cultural ainda
constitui uma excessão e muitas vezes até causa espanto, pode-se bem
imaginar a verdadeira revolução que causou a nova doutrina, que exigia,
como um de seus pilares, a igualdade entre os homens e mulheres.
A nova Fé que Bahá’u’lláh expunha não previa apenas a igualdade na
teoria, mas sobretudo apresentava modelos concretos de como essa igualdade
deveria tornar-se real na sociedade. Não espanta, portanto, que tenha sido
bahá’í a primeira escola para mulheres no Irã, num momento em que a
educação não atingia as mulheres, por consideradas desnecessária ou mesmo
prejudicial a elas. O fato é que a educação, para Bahá’u’lláh,
era o instrumento primeiro e ideal para a elevação do ser humano, tanto
material como espiritualmente, e, portanto, para que as mulheres pudessem
atingir os mesmos patamares dos homens, em termos espirituais ou
materiais, a elas deveria ser dado amplo acesso à educação, não como uma
concessão, um favor, mas como uma obrigação. A Fé Bahá’í não
apresenta dogmas, mas apenas o cerne de uma doutrina formulada por
Bahá’u’lláh e aprofundada por seus herdeiros e sucessores, Abdu’l-Bahá,
intérprete Autorizado da Fé, designado pelo próprio Profeta-Fundador, e
Shoghi Effendi, Guardão da Fé. Mas, apenas numa comparação imperfeita,
poderíamos até dizer que o dogma bahá’í é o da igualdade.
O SR. FRANCO MONTORO - Permite-me V. Exa. um aparte?
A SRA. MARIA VALADÃO - Tem V. Exa. a palavra.
O SR. FRANCO MONTORO - Congratulo-me com V. Exa. e com
os promotores desta homenagem. Se a idéia de uma paz universal de um
governo mundial é um sonho que na época, já no início do mundo
moderno Kant (?) intitulou o seu livro “O mundo de paz, de paz universal”,
esse velho sonho tem hoje uma atualidade extraordinária. Esta globalização
caminha no aspecto econômico, no aspecto tecnológico e exatamente por isso
é necessário que se dê a ela uma alma. No último relatório que a
Organização das Nações Unidas, particularmente o PNUD, publicou a todo o
mundo, há uma observação que precisa ser fixada: a Globalização que está
realizando é acompanhada do aumento das desigualdades e, portanto, das
injustiças. Daí a necessidade de se corrigir essa pendência, que
representa uma ofensa à justiça e, por conseguinte, à paz, com medidas
concretas, alimentadas pela idéia fundamental da solidariedade. É essa
grande mensagem de solidariedade, do entendimento acima de quaisquer
diferenças, que marca esta solenidade de que hoje é palco o plenário da
Câmara dos Deputados. Congratulo-me com V. Exa. pelo seu discurso,
com os promotores deste evento e com a homenageada, que honra o
Parlamento brasileiro com sua presença. (Palmas)
A SRA. MARIA VALADÃO - Deputado Franco Montoro, agradeço a
V. Exa. o aparte, que acrescenta ao meu pronuncia- mento prestígio e
conhecimento, além de trazer a esta solenidade o brilho de sua
presença. Continuando, queremos dizer que igualdade entre os
seres humanos, o que elimina liminarmente toda e qualquer discriminação,
seja de raça, etnia, cor, ideologia - e, obviamente, de sexo -, pois, como
bem comparou 'Abdu’l-Bahá, o homem e a mulher são duas asas de uma mesma
ave, esta não podendo voar nem mesmo viver sem uma delas. Na
verdade, o, digamos assim, “feminismo”de Bahá’u’lláh vai, em muitos
aspectos, além ainda do que o do nosso século, pela sua objetividade e
acerto. No caso da educação, por exemplo, as palavras de
Bahá’u’lláh indicam a necessidade de uma educação ainda mais acurada para
as mulheres, pois, afinal, são elas as primeiras educadoras de qualquer
ser humano; daí que o resultado da educação deste refletirá,
naturalmente e na mesma medida, a educação da mãe. Não podemos nos
esquecer ainda de que são as mulheres que formam a maioria absoluta das
profissionais de educação básica, essa educação que, desde a mais tenra
infância, terá reflexos no ser humano durante toda a vida, mas que tantas
vezes é relegada a um plano tão secundário. Não há a menor dúvida
também - e isso os números comprovam de que os coeficientes de mortalidade
infantil estão intimamente ligados aos anos de estudo da mãe. Os dados do
IBGE, reproduzidos no documento da Comunidade Bahá’í do Brasil, intitulado
“Subsídios Bahá’ís aos Novos Governantes e Legisladores do Brasil.”
Enquanto em famílias cujas mães tem menos de um ano de escolaridade a
taxa de mortalidade é de 100 mortos para 100 mil nascidos, essa taxa baixa
vertiginosamente de 19 mortos para 100 mil nascidos nos lares em que a mãe
tem mais de oito anos de escolaridade. Sr. Presidente, Sras. e Srs.
Deputados, a presença ativa da mulher bahá’í é uma realidade, consequência
natural do papel na família e na sociedade que a ela atribuiu
Bahá’u’lláh. Não é de surpreender, portanto, que nas Assembléias
Espirituais Nacionais e mesmo no corpo maior do administrativo e
legislativo da Fé Bahá’í, a Casa Universal de Justiça, encontrem-se
mulheres liderando reuniões, sejam elas apenas no âmbito familiar ou em
grandes auditórios, chefiando delegações de alto nível ou pregando a
doutrina Bahá’í. Na verdade, a inexistência de um clero formal
na Fé Bahá’í propicia uma atuação inigualável das mulheres mesmo na
formação religiosa dos seguidores de Bahá’u’lláh, pois é sabido que todas
as Religiões tradicionais tendem a favorecer o sacerdócio masculino,
muitas vezes restando à mulher apenas um papel adjuntório. Na Fé Bahá’í, a
mulher divide com o homem também a tarefa de difusão da doutrina - o que,
afinal, ainda causa espanto, mesmo no nosso Ocidente progressista.
Aliás, é interessante notar que a Fé Bahá’í, nascida no Oriente, como
todas as outras grandes Religiões, expandiu-se como nenhuma outra, de modo
tão rápido e eficiente, por todos os quadrantes do mundo. Uma das razões,
não há dúvida, terá sido o trabalho missionário das mulheres, possível
graças à atitude da nova Fé, que dava a elas oportunidade de se instruir,
e autoridade e direito de difundir, onde quer que fosse, a palavra de
Bahá’u’lláh. Pois como afirmou 'Abdu’l-Bahá:
“Uma Causa Divina de bem-estar universal não pode ser limitada ao
Oriente nem ao Ocidente, pois, o esplendor do Sol da Verdade ilumina tanto
o Oriente como o Ocidente, e faz sentir o seu calor no sul e no
norte - nenhuma diferença há entre um pólo e outro.” A Fé Bahá’í
não é uma Religião oriental, como os menos avisados possam supor, nem um
ramo ou dissidência do Islã, como outros pensam. Embora nascida em seu
seio, a mensagem de Bahá’u’lláh transcende não só de quaisquer
limites geográficos, como também - e principalmente - quaisquer conceitos
restritivos, entre os quais as restrições à participação da mulher na vida
social e Religiosa. Isso fez com que a Comunidade Bahá’í mundial
seja hoje reconhecida como uma das organizações não-governamentais mais
atuantes nos mais altos foros internacionais, onde se discutem os mais
cruciantes problemas sociais, entre os quais, com destaque, os problemas
da mulher no seio da ONU, principalmente, onde já lhe foi outorgado status
de Órgão Consultivo. Não vamos fazer aqui um balanço da atuação
da Comunidade Bahá’í nas inúmeras conferências regionais e mundiais
promovidas pela ONU, nem havia necessidade, mas gostaria de mencionar
uma contribuição recente, feita por ocasião do 50º aniversário
de fundação das Nações Unidas, no ano passado. Trata-se de documento
intitulado “Momento Decisivo Para Todas as Nações”, que enfoca, do ponto
de vista bahá’í todos os pontos de atuação da Organização Mundial.
No item referente à mulher, três sugestões, objetivas e precisas,
dirigidas não diretamente à Organização, mas, sobretudo, aos
países-membros, para que a mulher se veja mais atuante em nível
mundial nos foros da ONU - medidas essas que devem ser objeto de
atenção também do nosso Legislativo e do Executivo, portanto, bem
pertinente que sejam mencionadas agora nesse Plenário. São elas:
primeiro, aumentar a participação das mulheres nas delegações dos
países-membros, como embaixadores ou em postos similares; segundo,
encorajar a ratificação universal das convenções internacionais
que protegem os direitos da mulher e melhoram a sua posição; e terceiro,
planejar e implementar a Plataforma de Ação de Pequim. Sr.
Presidente, Sras. e Srs. Deputados, é impossível discorrer sobre a atuação
da Comunidade Bahá’í em prol da mulher sem pecar pela omissão. Num breve
momento como esse. Não pretendi esgotar o assunto, mas apenas trazer
alguns conceitos fundamentais da doutrina bahá’í, ainda que esparsos, e,
por conseqüência natural, alguns exemplos de como eles são postos em
prática. Creio que tenha sido o suficiente para, pelo menos,
podermos ter uma idéia, ainda que vaga, do que representou o surgimento da
Fé Bahá’í para o seu tempo e o peso que ela demonstra hoje em dia.
Sabemos que, apesar de todo o progresso, a situação da mulher ainda não
evoluiu em muitos lugares, a níveis minimamente aceitáveis. Em
nome de uma pretensa inferioridade - tantas vezes sancionada por tortas
interpretações religiosas - ainda se mutilam mulheres, ainda se lhes negam
direitos mínimos, ainda delas se exigem ônus insuportáveis e lhes oferecem
condições deprimentes de vida. Certamente, onde falta o ensinamento de
Bahá’u’lláh, expresso de maneira muito clara nas palavras do Intérprete da
Fé, 'Abdu’l-Bahá: “Até que a mulher e o homem reconheçam e
percebam a igualdade não será possível nenhum progresso social e político
... pois o mundo humano consiste de duas partes ou membros: um
é a mulher; outro é o homem. Até que esses dois membros sejam
iguais em força, a unidade da humanidade não pode ser estabelecida, e
a felicidade da raça humana não será uma realidade. Sr.
Presidente, Sras. e Srs. Deputados, em nome do meu partido e em meu
próprio nome, reitero os cumprimentos à Comunidade Bahá’í Mundial, tão
brilhantemente representada na pessoa da Sra. Rabbani, e à
Comunidade Bahá’í do Brasil, expressando a gratidão, como brasileira e
como mulher, ao sublime trabalho que vem empreendendo, já há setenta e
cinco anos em prol do país e da mulher em nosso solo. Muito
obrigada. (Palmas)
O SR. PRESIDENTE (Wilson Campos) - Concedo a palavra ao
Exmo. Sr. Deputado José Coimbra, que falará pelo PTB. (Palmas)
O SR. JOSÉ COIMBRA (Bloco/PTB-SP - pronuncia o seguinte
discurso)- Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, sejam as minhas
primeiras palavras de congratulações ao nobre colega Deputado
Luiz Gushiken pela acertada iniciativa de promover esta sessão solene,
com a dupla finalidade de recepcionar a ilustre representante da
Comunidade Bahá’í do Mundial, que nos honra com sua visita, Sra.
Rabbani, e evocar os setenta e cinco anos da chegada da pioneira da Fé
Bahá’í em solo brasileiro. Certamente, a Sra. Leonora
Armstrong, ao decidir-se vir pregar a nova Fé em nossa terra, conhecia a
realidade brasileira de então: uma jovem república, que apenas trinta anos
antes decidira pela liberdade de credo e pela separação da
Igreja do Estado; uma sociedade dominada pelas elites econômicas paulistas
e mineiras, que se revezavam no poder em defesa de seus interesses; um
povo que continuava se formando pelo amálgama de tão diferentes
tipos humanos - como ex-escravos, filhos destes, indígenas, imigrantes do
Oriente, do Ocidente, da Europa - enfim, uma extensa gama de
culturas que se fundiam e se complementavam na criação de algo tão diverso
e ao mesmo tempo tão comum que é o povo brasileiro. Leonora
Armstrong terá tido, sem dúvida alguma, como impulso ao seu trabalho, as
palavras de Bahá’u’lláh: “Não vos considerei uns aos outros como
estranhos. Convivei com os seguidores de todas as religiões em espírito de
amizade e camaradagem. Sois os frutos de uma só árvore, as
folhas do mesmo ramo.” Conhecia, sem dúvida, também as palavras
d’Aquele que antecedera a Bahá’u’lláh - “ide e ensinai a todos os povos”-
pois, sua Fé não nega as religiões anteriores nem seus escritos
sagrados, mas, pelo contrário, aceita o que eles contém de mais profundo e
verdadeiro. Vinha, enfim, movida pelo mesmo espírito preconizado por
Cristo de haver na terra “um só rebanho e um só pastor”. Desde
então, a Comunidade Bahá’í do Brasil vem se destacando na cooperação com o
povo brasileiro, não com uma preocupação meramente proselitista, mas, sim,
num verdadeiro apostolado em favor da promoção espiritual e
material do ser humano, qualquer que seja a sua origem, sua cor ou mesmo
religião. São várias as vertentes dessa ação: em favor dos
necessitados; pela criança através da educação básica, em prol da condição
da mulher; contra a degradação ambiental; pela moralidade na administração
da coisa pública; apenas para mencionar alguns campos onde a Fé Bahá’í se
mostra mais atuante. Através de importantes mensagens universais
- verdadeiras encíclicas que expõem a visão bahá’í em relação a todos os
tópicos que afetam a conduta humana - a Comunidade Bahá’í vem oferecendo
preciosas lições de comportamento não apenas para seus membros, mas para
toda a humanidade. Também no plano nacional, as Assembléias
Espirituais vêm se preocupando em apresentar sugestões e normas que possam
contribuir para o aperfeiçoamento do ser humano através da sua ação na
comunidade. Não há agora como enumerar à exaustão as iniciativas
da Assembléia Espiritual Bahá’í brasileira, mas não posso me furtar de
mencionar pelo menos uma das mais recentes, que toca a nós parlamentares
de maneira toda especial. Trata-se do documento “Subsídios
Bahá’ís aos Novos Governantes e Legisladores do Brasil”, publicado no
início do ano passado e dirigido àqueles que tinham, então, sido
recentemente investidos de mandato neste Lesgislativo e nos Legislativos e
Executivos estaduais e federal. O documento, uma verdadeira
carta-aberta, abrange quatro áreas básicas que, segundo os ensinamentos de
Bahá’u’lláh, são cruciais para o aperfeiçoamento humano: educação, com
especial ênfase à população rural; promoção da mulher; liderança e
moralidade. E como precisamos disso! - e prosperidade da humanidade.
Nada mais oportuno que este terceiro item, “Liderança e Moralidade”, e
nada mais perfeito que o enfoque apresentado pela Comunidade Bahá’í, que,
por sinal, coincide com os reclamos da sociedade brasileira por um novo
modo de pensar e sobretudo de fazer política no País. Inicia o
documento afirmando que os “líderes”- e que todos os que aqui apresentamos
naturalmente somos líderes - “foram aqueles que ousaram inovar,
enfrentaram desafios e alteraram as condições de vida de seus
liderados”. Aos líderes - portanto, a nós também, e ainda hoje - exortou
Bahá’u’lláh, sobre a responsabilidade que intrinsecamete detém:
“Deus entregou às vossas mãos as rédeas do governo do povo, para
que possais reger com justiça, salvaguardando os direitos dos espezinhados
e punindo os malfeitores.” Para isso, prossegue o documento, a
liderança deve ser exercida com dois predicados essenciais - justiça e
moderação - devendo o líder possuir a capacidade de estabelecer justiça,
dialogar com todos os segmentos da sociedade, construir unidade
na diversidade e demonstrar coerência entre o discurso e ação, algo
aparentemente óbvio, não há dúvida, mas nem sempre facilmente
palpável. É dada ênfase à moralidade da ação do líder, o que
exige dele a disposição de um trabalho conjunto com os seus liderados. Na
verdade, para o crente bahá’í, a comunidade é um microcosmo da humanidade;
a união desta depende da união daquela. Daí por que a importância
primordial que a Fé Bahá’í empresta às decisões colegiadas, por serem
expressões precisas do interesse da comunidade. Ou,como afirma o próprio
texto: Os governos são formados para assegurar a
continuidade ordenada da vida social no planeta e
encorajar a realização coletiva dos dotes latentes na humanidade. É
mediante a defesa dos princípios de justiça
que eles mantêm sua autoridade e capacidade
de canalização do fluxo do progresso da civilização. Somente a justiça,
que implica uma cidadania plena, é capaz de liberar energias de um povo na
forma de serviço ao bem-estar humano. Justiça - essa é a base da
moralidade que deve distinguir o líder. E justiça pressupõe, antes de mais
nada, uma percepção aguda da realidade social em que ela deve ser
exercida. Diz-nos o documento, com clareza: “O direito da
população a um governo justo e fundamental ao progresso da
coletividade.Isso implica em tratar de forma apropriada e distinta
os que são socialmente diferentes,
buscando reduzir as desigualdades, para que todos tenham
oportunidades de trabalho e vida condignas.” Pensamento que
coincide com aquele bem conhecido do maior homem público que o País já
conheceu, Rui Barbosa, quando afirmava que “tratar desiguais com igualdade
é tão injusto quanto tratar iguais com desigualdade”. Pensamento
também atualíssimo: os rescentes estudos da ONU mostram que ainda é grande
a desigualdade em nosso País. Este é, sem dúvida, o maior mal
que nos assola, e só com verdadeiros líderes à nossa frente é que poderá
ser diminuído. O documento termina o capítulo com uma
constatação simples: “Só por meio da educação é que a ética e a moral
poderão ser aperfeiçoadas, pois, em suas próprias palavras, as lideranças
do terceiro milênio já estão nos bancos escolares.” E, se não
dermos a essas gerações, que se tornarão líderes, no futuro, uma educação
que não privilegia apenas o conhecimento, a informação, a quantidade de
saber, em detrimento de uma formação de base ética e moral — e, poque não
dizer, também religiosa — não podemos esperar por progressos sociais
senão por mais regressos ainda. A Sra. Armstrong tinha
consciência disso 75 anos atrás, tanto que hoje, onde a Comunidade Bahá’í
mais se destaca é justamente na educação de base, que, em suas escolas,
enfatiza a convivência harmoniosa entre todas as raças e
incentiva a busca do conhecimento interior, espiritual, moral, a par da
aquisição dos necessários, mas não exclusivos, conhecimentos
formais. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, como mencionei,
preferi ater-me apenas a um pequeno ponto da atividade da Comunidade
Bahá’í no Brasil. Pequeno sim, mas nem por isso de menor significado. Não
haveria tempo de um aprofundamento maior neste momento, mas creio não ser
necessário: a Comunidade Bahá’í nos oferece suas sugestões, suas
propostas, para que, em ideais comuns, ainda que em credos distintos, nos
unamos numa única meta, esta não apenas dos bahá’ís, como também de
qualquer homem de boa-vontade. A união da humanidade com a meta de se
aperfeiçoar e atingir a plenitude espiritual que o Deus único dos judeus,
budistas, cristãos, muçulmanos, bahá’ís ou de qualquer pessoa que nele
creia almeja a todos os seus filhos. É, portanto, com imenso
prazer e honra que, em nome do Partido Trabalhista Brasileiro, saúdo a
Comunidade Bahá’í Mundial, aqui representada na pessoa da Sra. Ruhíyyih
Rabbani e na Assembléia Nacional Bahá’í, que congrega os crentes
de Bahá’u’lláh, há trinta e cinco anos, de norte a sul do país, neste
momento em que celebra os 75 anos de profícua atividade na terra que
Leonora Armstrong escolheu para sua altíssima missão. O nosso
agradecimento a todos. (Palmas)
O SR. PRESIDENTE (Wilson Campos) - Concedo a palavra ao
Deputado Flávio Arns. O SR. FLÁVIO ARNS (PSDB-PR, Pronuncia o
seguinte discurso) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Sra. Ruhiyyih
Rabbani, Sras. e Srs., com grande satisfação atendemos à indicação
do nosso partido, o PSDB, para saudar, nesta solena sessão da
Câmara dos Deputados, a Comunidade Bahá’í e a sua líder mundial, a Sra.
Ruhíyyih Rabbani, ora em visita ao Brasil. Nossa satisfação em participar
desta homenagem se justifica por duas razões principais. Primeiro, pelo
reconhecimento ao louvável trabalho que esta entidade vem realizando,
desde o século passado, pelo mundo inteiro. Segundo, por nos
identificarmos também, enquanto integrante de um movimento
não-governamental, que é o movimento das Associações de Pais e Amigos dos
Excepcionais - APAEs, com o espírito que norteia os seguidores da
Comunidade Bahá’í. Efetivamente, no mundo moderno, as organizações
não-governamentais, como a Comunidade Bahá’í ou as APAEs, estão assumindo
um papel cada vez mais preponderante na sociedade. Levantando
bandeiras em diversas áreas, desde a defesa dos direitos do cidadão à
preservação ambiental, as organizações não-governamentais estão dando
mostras incontestáveis de que conhecem a fundo a realidade e os
problemas das nações e que têm contribuições positivas a dar na orientação
dos destinos da humanidade. Na última reunião do Habitat,
realizado em Istambul, vale ressaltar, as organizações não governamentais
apresentaram as soluções mais viáveis para os problemas nas cidades.
Neste contexto, a Comunidade Bahá’í se destaca. Tanto por ter sido a
primeira organização não governamental criada no mundo - através de seu
fundador e líder máximo Bahá’u’lláh, falecido em 1892 - e
formalmente reconhecida pela ONU há cerca de cinquenta anos, como também
pelo desprendimento que tem conduzido trabalhos em defesa do meio
ambiente, do habitat, do homem e da paz mundial, em 188 países,
dentre os quais o Brasil. Em nosso país, aliás, já há 75 anos,
os seguidores da Comunidade Bahá’í estão presentes. Atualmente,
são milhares de membros vindos das mais diversas origens sociais,
econômicas, culturais e étnicas, residentes em 1.215 Municípios. Em muitas
cidades, além do trabalho de desenvolvimento espiritual e moral,
os Bahá’ís também executam projetos no campo econômico e educacional, como
a Escola das Nações em Brasília; a Associação Monte Carmelo, em Mogi
Mirim, em São Paulo; o Centro Educacional de Salvaterra, em Salvaterra,
Pará; ou o Instituto Politécnico Rural, em Iranduba, Amazonas.
Sra. Ruhyyih Rabbani, é com grata alegria que, em nome do PSDB,
partido sintonizado com as ausas sociais e preocupado com a realização da
cidadania, saudamo-a e damos-lhes as boas-vindas por esta sua nova visita
ao Brasil. Que sua estada entre nós se traduza no fortalecimento o
trabalho da Comunidade Bahá’í e no estreitamento dos laços da sua
inconteste liderança mundial com os membros que aqui desenvolvem
ações concretas, notadamente no campo educacional. Muito
obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Fernando Ferro) - Convido a
fazer uso da palavra, pelo Bloco/PPB/PL, a Deputada Alzira
Ewerton. (Palmas)
A SRA. ALZIRA EWERTON (Bloco/PPB/PL-AM, Pronuncia
o seguinte discurso) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados,
ilustre Sra. Rabbani, demais membros da Comunidade Bahá’i, senhoras e
senhores, é com grande honra que, em nome do Partido Progressista
Brasileiro, PPB, subo à Tribuna nesta sessão solene convocada para
comemorar o 75º aniversário da chegada de Leonora Armstrong ao Brasil e
receber a Sra. Rabbani, que nos enobrece com sua presença entre nós.
Para mim, amazonense de nascimento e representante do Estado do
Amazonas, a incumbência que me deu o partido traz uma alegria toda
especial, pois são históricos os vínculos da Comunidade Bahá’í
com aquela região, e mais especial ainda a relação que a Sra. Rabbani
mantém, já de longa data, com a Amazônia. Em 1921, a jovem
Leonora Armstrong, enviada ao Brasil para difundir os ensinamentos de
Bahá’u’lláh, antes de fixar na Bahia, empreendeu uma longa jornada pelo
nordeste e norte do País, tendo ido até Manaus. Pode-se imaginar
o que representou uma empreitada desse tipo, levando-se em consideração
não só o isolamento em que ainda se encontrava a Amazônia como também o
fato de ser uma mulher a fazê-la, o que certamente terá causado surpresa,
numa época em que às mulheres não cabiam tarefas dessa natureza.
Mas, para a Comunidade Bahá’í, já àquela época, à mulher eram dados
papéis iguais aos do homem, e os preceitos que ela vinha difundir exigiam
esse tipo de ação, pois para a Fé Bahá’í o mundo não é mais do
que uma grande família, e a Terra o seu Lar. Era, portanto,
imprescindível, conhecer de perto cada membro dessa família e cada recanto
desse grande lar. A grande família bahá’í compõe-se de todos os
povos do planeta e, por isso, é preciso que os membros dessa família se
conheçam uns aos outros, aprendam uns com os outros, ajudem-se uns aos
outros e também que todos eles cuidem do lar onde habitam.
Natural, portanto, a determinação da jovem Leonora de conhecer melhor
a variedade humana e física que o país apresentava, e também natural seu
interesse pela Amazônia, recanto especial desse grande lar,
jardim maior do mundo, abençoado, como poucos outros, pelo Criador em
belezas e recursos naturais, e dotado de enorme potencial humano que, na
maioria das vezes, é menosprezado, quando não simplesmente aniquilado,
apenas por ser diferente, não inferior, dos outros homens, estes ditos
civilizados. Meio século depois, outra ilustre bahá’í iria se
embrenhar pela mesma Amazônia, desta vez numa empreitada bem mais ousada,
dadas as facilidades que os novos tempos ofereciam, e também dados os
novos e maiores problemas e desafios que o progresso tinha levado à
região. A expedição liderada pela Sra. Ruhíyyih Rabbani em 1975 -
denominada de “Luz Verde”, por levar uma chama de esperança a todos os
povos amazônicos - iria se tornar um marco histórico no desbravamento e no
estudo da Amazônia. Não incluiu apenas a Amazônia Brasileira,
desconheceu fronteiras e chegou às origens do grande rio que lhe dá o
nome. Realizou-se em quatro etapas: a primeira, singrando os rios da
região por barco e canoa, teve início na Venezuela, na região de
Orinoco, percorrendo uma extensão de mil e setecentos quilômetros; a
segunda chegou ao interior do Suriname, a terceira percorreu mais de 3.000
quilômetros, de avião e barco, pelo Rio Amazonas, no Brasil, Colômbia e
Peru, com o objetivo de visitar populações ribeirinhas e povos indígenas;
e a quarta foi a visita aos índios da Bolívia e do Peru. Os
menos avisados poderão supor que um a viagem dessa natureza, promovida por
uma instituição religiosa, tenha tido como finalidade apenas o
proselitismo. Apenas quem não conhece os preceitos basilares da
Fé Bahá’í - exige o respeito à cultura própria de cada comunidade humana,
seja qual for sua origem - poderia ver a Expedição Luz Verde desse ângulo.
Além disso, os resultados da empreitada conduzida pela Sra. Rabbani
comprovam os seus objetivos bem mais amplos. Hoje, eles se
traduzem em vários projetos sócio-econômicos de vulto na região, sobretudo
no meu Estado. Não haverá necessidade de fazer um relato pormenorizado,
mas não posso deixar de mencionar os mais significativos, para
que façamos um quadro mais preciso do que representou a Expedição Luz
Verde, e do que representa hoje a contribuição da Comunidade Bahá’í à
população da Amazônia. Como não poderia deixar de ser,
a ênfase é dada à educação, pois a Fé Bahá’í vê a educação do ser humano
como condição intrínseca para o seu desenvolvimento pessoal e o progresso
da comunidade onde ele vive. Pois, foi o próprio Bahá’u’lláh que
disse: “O conhecimento é como asas para a vida do homem; é como
uma escada pela qual ele possa ascender. Incumbe a cada um
adquirí-lo. (...) Na verdade, o conhecimento é um verdadeiro tesouro
para o homem; é para ele uma fonte de glória, de graça, de
júbilo e exaltação, de alegria e contentamento.” Vejamos,
portanto, ainda que rapidamente, os princípios frutos que a Expedição Luz
Verde produziu no campo da educação. Podemos citar o Instituto Politécnico
Djalal Eghrari ) perdoem-me a pronúncia -, na periferia de
Manaus, dedicado ao ensino de 1º e 2º graus, especialmente programado para
aquela comunidade rural. É interessante notar que esse Instituto congrega
estudantes de 5a a 8a séries de vinte comunidades diferentes, índios
em sua maioria, recebendo, como em nenhuma outra escola técnica ou
agrícola da região, um grupo de indígenas tão diverso. Temos
também a Associação para o Desenvolvimento Coesivo da Amazônia, dedicada
ao desenvolvimento das populações rurais e das periferias urbanas, que,
por sinal, nasceu de uma outra extensa viagem na região
promovida pela Comunidade Bahá’í em 1984. A partir da fundação e
desenvolvimento dessa Associação, foi criado, em 1985, o Lar Linda Tanure,
para crianças abandonadas; hoje mais ampliado, constitui o
Núcleo de Bem-Estar Social, com vários projetos em andamento.
Este núcleo mantém diversos convênios a fim de dar maior eficiência ao
seu trabalho: com os órgãos de assistência a menores infratores, para
recuperação social; com a Universidade luterana do Brasil, para
assistência psicológica de intergração familiar; com o SEBRAE e a
Universidade de Tecnologia do Amazonas, para a formação profissional na
área de marcenaria. Não podemos nos esquecer de mencionar um dos
grandes projetos bahá’ís na região, a Escola Vocacional Masrour, na
periferia de Manaus, que atende a mais de 700 alunos da pré-escola à 5a
série, fundada em 1991. Pretende dar oportunidade a crianças e
adolescentes carentes através do ensino profissionalizante, e atendimento
de saúde e nutrição às mães. Devemos citar ainda a Escola Novo
Jardim, funcionando desde 1993, e com perspectivas e planos de ampliação,
também na Capital do Estado, com cursos pré-escolares e de alfabetização,
atendendo a crianças carentes. Como se percebe, foi a partir da
grande investida da Sra. Rabbani na Amazônia adentro que os projetos
bahá’ís proliferaram na reigião. E não foi por acaso. É notória, e
reconhecida em âmbito internacional, a preocupação da Comunidade Bahá’í
com os problemas ecológicos globais. Tal posição, como mencionei, é
coerente com a visão da Fé Bahá’í da terra como a pátria única, lar geral
dessa grande família, que é toda a humanidade.’ A Amazônia,
portanto, não poderia deixar de receber atenção especial por parte da
Comunidade Bahá’í, e não é de admirar que em todas as escolas bahá’ís da
região seja dada tanta importância à educação ambiental e ao
desenvolvimento sustentado, pois sabemos que grande parte dos problemas de
degradação ambiental derivam ou da falta de informação ou da simples
miséria, que não oferece opção àqueles que procuram tirar da natureza ou
do seu sustento imediato, não importando as conseqüências a médio ou a
longo prazo. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, poucas
entidades religiosas terão hoje tanta preocupação com o meio ambiente e a
educação ambiental quanto a Fé Bahá’í, e uma visão tão evoluída sobre a
questão. Provém do próprio credo bahá’í de que os povos do mundo nada mais
são do que uma única civilização em constante evolução, o que exige a
necessidade de novas alternativas para novas questões, alternativas essas
de alcance planetário, pois que assim exige a cidadania mundial que a Fé
propugna. Daí o interesse da Comunidade Bahá’í em desenvolver
projetos na Amazônia centralizados no desenvolvimento moral, espiritual e
material do ser humano, pois só desse modo é que poderá se dar
qualquer outro tipo de desenvolvimento. Portanto, é com satisfação que
vemos a implementação dos projetos bahá’ís na Região Amazônica. E a Sra.
Rabbani, na visita que fará ao Estado do Amazonas, para lembrar a epopéia
de vinte anos atrás, sentirá, sem dúvida alguma, o reconhecimento do povo
do Amazonas ao seu esforço. Assim, ao saudar a Comunidade Bahá’í
Brasileira, pelos seus setenta e cinco anos e à Sra. Ruhíyyih Rabbani,
pela visita que nos faz o que tanto nos honra, permitam-me enviar uma
saudação especial os oito mil bahá’ís declarados da região, congregados
nas 25 Assembléias Espirituais Locais, responsáveis que são por boa
parcela do progresso espiritual e material de tantos amazônidas.
Sra. Rabbani, eu gostaria que V. Exa. aceitasse, através da minha pessoa,
como representante da população do Estado do Amazonas, a manifestação de
carinho e esperança pela sua passagem novamente por nosso Estado.
Muito obrigada a todos (Palmas)
O SR. PRESIDENTE (Fernando Ferro) - Convidamos a fazer o uso
da palavra a Deputada Ceci Cunha, pelo PSDB. (Palmas)
A SRA. CECI CUNHA (PSDB-AL, Sem revisão da oradora) - Sr.
Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Sra. Ruhíyyih Rabbani,
homenageada desta tarde, Sr. Shapoor Monadjem, membro do Centro Mundial
Bahá’í e Conselheiro, Sr. Rolf von Czékus, Conselheiro Continental para as
Américas, Sr. Farhad Shayani, Conselheiro Bahá’í, este encontro, convocado
para comemorar o septuagésimo quinto aniversário da chegada da Fé Bahá’í
ao Brasil, e recepcionar a ilustre Sra. Ruhíyyih Rabbani, torna-se ocasião
das mais oportunas para que reflitamos sobre as mensagens que Bahá’u’lláh
revelou a toda a humanidade, e sobre como elas têm sido realizadas, ao
longo deste século e meio. A Fé Bahá’í, por ser a mais nova
religião revelada, nascida e desenvolvida numa época que já permitia um
razoável nível de comunicação mundial, apresenta uma característica
peculiar: tem seu acervo doutrinário totalmente preservado, ou seja, tem a
palavra do Profeta-Fundador e a de seus sucessores autenticada, não
permitindo dúvida quanto a sua veracidade ou origem. Assim,
temos incólumes as lições de Bahá’u’lláh, do Intérprete ‘Abdu’l-Bahá e do
Guardião Shoghi Effendi, que formam o alicerce doutrinário da Fé. É com
base nesse precioso acervo que a Comunidade Bahá’í Mundial, através de seu
órgão supremo, a Casa Universal de Justiça, continua expandindo a Fé
através de pronunciamentos, publicações e declarações universais.
Uma delas, das mais importantes, expostas a público em 1985, refere-se
aum tema crucial para todo o gênero humano: a paz mundial. Na verdade, a
paz tem sido preocupação de todas as grandes religiões, desde quando
Isaías proclamou que “São formosos sobre os montes os pés dos que anunciam
a paz.” (Is. 52,7), ou quando Cristo se despediu de seus
apóstolos com “Eu vos dou a paz, eu vos deixo a minha paz.”(Jo
14,27). Bahá’u’lláh, que pregou um mundo unido, sem fronteiras,
sem distinções de qualquer tipo, não poderia deixar de se pronunciar sobre
a paz, pois a família única que é a humanidade, habitando um lar
único, que é a Terra, não terá como viver bem ou mesmo sobreviver, se não
viver em paz. E é nesse a edição de “A Promessa da Paz Mundial”,
apresentada como contribuição bahá’í ao Ano Internacional da paz,
promovido pela ONU, em 1986. Não pretendo fazer uma análise
minuciosa desse documento, pois o tempo não seria suficiente, nem minhas
condições pessoais, dada a aprofundidade da mensagem da Casa Universal de
Justiça. Mas mesmo incorrendo na omissão é importante que
sublinhemos as linhas gerais do pensamento bahá’í a respeito, expresso
nessa importante declaração aos povos do mundo. Em primeiro, há
que se observar que o século atual se caracteriza por um quase paradoxo -
a constância da guerra ao lado da busca acelerada pela paz mundial. Numa
análise menos acurada, se poderia dizer que o século XX não tem
trazido muito alento à paz. Não na visão bahá’í, que o classifica como
“extraordinariamente abençoado”, e vejamos por quê. Foi neste
século que as nações se deram conta que só pela união dos esforços, pelo
entendimento mútuo e pela decisão colegiada é que conseguiriam qualquer
progresso, onde quer que seja. Foi assim que este século viu
nascer a Liga das Nações, viu esta se expandir na Organização das Nações
Unidas, viu esta gerar os grandes organismos regionais e proliferarem os
seus órgãos especializados de cooperação. Viu, enfim, um mundo
mais preocupado em se agregar e a decidir de modo conjunto. O
próprio Bahá’u’lláh foi claro em expor a importância de um mecanismo de
decisão conjunta entre as nações. São suas as palavras:
“A consulta confere maior consciência e transforma as
conjecturas em certezas. É uma luz brilhante que, num mundo escuro,
ilumina e guia o caminho. Para tudo existe e continuará a existir um
estágio de perfeição e maturidade. A maturidade do dom do
entendimento é manifesta através da consulta.” Por sinal,
a maturidade do gênero humano é, segundo a visão bahá’í, o seu próximo
estágio, estando hoje em plena adolescência. Daí as convulsões constantes
por que passa atualmente, período de mudanças, caótico, sim, mas
necessário à transição, prenúcio, portanto, da estabilidade que define o
estágio maduro da humanidade. E, neste processo, a
religião exerce um papel especial, pois é ela que deve guiar o homem na
direção da paz, pois a paz entre as nações nunca se dará se não se der,
primeiro, a paz em cada homem. A paz em cada um de nós. Na verdade, ao
dizer “A paz esteja convosco”, o Cristo ressuscitado exigia a paz
individual, caminho natural para a paz coletiva. É bem verdade,
a história nos tem mostrado que, em muitas ocasiões, a própria religião
tem sido empecilho à paz, ou mesmo motivo de guerra. Mas isso não pode ser
argumento para que se negue a importância da Religião, uma das mais
sublimes faculdades da natureza humana, em tal processo. Ou como
adverte a Casa Universal de Justiça: “Dificilmente, se poderá
negar que a perversão desta faculdade tenha contribuído em grande
parte para a confusão que atualmente reina no mundo e os conflitos
existentes entre os indivíduos e no seu íntimo. Ao mesmo tempo, nenhum
observador imparcial pode menosprezar a influência preponderante exercida
pela religião sobre as expressões vitais da civilização. Mais ainda
sua indispensabilidade à ordem social tem sido
repetidamente demonstrada por seu efeito direto sobre as leis e a
moralidade.” Essa asserção repousa nas sábias palavras de
Bahá’u’lláh: “A religião é o maior de todos os meios para o
estabelecimento da ordem no mundo e para o contentamento
pacífico de todos os que nele habitam (...) Se a
lâmpada da religião for obscurecida, reinarão o
caos e a confusão, e as luzes da eqüidade, da
justiça, da tranquilidade e da paz deixarão de brilhar.”
Assim, o presente século é um momento de reflexão, de introspecção da
humanidade, que deve “olhar para si mesma, para a sua própria negligência,
para a fonte dos mal-entendidos e confusão cometidos em nome da religião”.
Mas, para que isso aconteça, o documento bahá’í apresenta alguns
requisitos. Primeiro, a eliminação do racismo e de qualquer
forma de discriminação, pois essas, sabemos bem, têm sido causas
constantes de dissensão e guerra entre as nações. Há que se eliminar
também a disparidade extrema entre a riqueza e a pobreza, o nacionalismo
exacerbado e o fanatismo religioso. Sobre ele, um dos grandes
males, sempre combatido em doutrina e em ação pela Fé Bahá’í, ela própria
vítima maior em sua terra natal pronunciou-se a Casa Universal de Justiça
no documento. Uma das características mais estranhas e mais tristes
da irrupção atual do fanatismo religioso é o modo como, em
cada caso, está minado não só os valores espirituais
conducentes à unidade da humanidade, mas também aquelas
vitórias morais inigualáveis conquistadas pela religião particular a
que pretende servir. Portanto, para que se alcance a paz mundial
preconizada por Bahá’u’lláh, há que se tratar o problema, antes de mais
nada, como uma questão de princípios, por que, como afirma a Declaração, a
paz advém de um estado interior apoiado por uma atitude
espiritual ou moral, e é rincipalmente através
da evocação dessa atitude que se pode chegar á possibilidade
de soluções duradouras. Daí a importância que a Fé Bahá’í
confere à educação de base, para que se forme no homem uma mentalidade mol
dada em preceitos espirituais e morais desde a infância. Daí a exigência
da Fé Bahá’í de igualdade de direitos entre homens e mulheres.
E, neste particular, ‘Abdu’l-’Bahá chega a afirmar que quando a mulher
estiver em posição de igualdade com o homem, poder-se-á vislumbrar o fim
das guerras, pois a mãe sempre preferirá a negociação e o entendimento a
mandar o seu filho para o campo de batalha. Sr. Presidente,
Sras. e Srs. Deputados, Srs. participantes, o assunto obviamente não se
esgota aqui. Como disse, não pretendi nem mesmo analisar a
Declaração da Casa Universal de Justiça em seu odo, mas apenas chamar a
atenção para alguns pontos, ainda que esparsos.Mesmo assim, creio já er
sido o suficiente para que possamos fazer uma idéia da contribuição bahá’í
à paz mundial. Tal contribuição - e isto é importante que se
frise - não se reduz apenas a declarações de princípios, à edição de
mensagens, mas vê-se efetivada a cada dia, tanto no seio de cada lar
bahá’í e de cada Assembléia Espiritual, quanto no trabalho que a
Comunidade empreende nos organismos internacionais, onde se debatem os
problemas sociais da humanidade, com especial destaque na
Organização das Nações Unidas, onde já desfruta, desde longa data, do
status de órgão consultivo. É uma ação levada ao dia-a-dia,
motivada pela profecia e promessa de Bahá’u’lláh sobre as tribulações por
que hoje o mundo passa: “essas lutas infrutíferas, essas guerras ruinosas
hão de passar, e a paz máxima há de chegar”. A Paz Mundial. Em
nome de meu partido, o PSDB, externo os cumprimentos à Comunidade Bahá’í
brasileira pelos setenta e cinco anos de frutífera ação em nosso País em
prol da paz, ação esta traduzida no serviço em favor de tantos
brasileiros que devem à Comunidade Bahá’í um pouco mais de conforto
espiritual e material. Muito obrigada. (Palmas)
O SR. PRESIDENTE (Wilson Campos) - concedo a palavra ao Sr.
Deputado Eduardo Jorge, que falará pelo PT.
O SR. EDUARDO JORGE - Sr. Presidente, ilustre convidada Sra.
Rabbani, demais convidados, Deputadas e Deputados, é muito importante a
proposta do Deputado Luiz Gushiken, do nosso partido, que veio em boa
hora, de propor esta sessão solene. Falo por delegação da liderança do meu
partido, o Partido dos Trabalhadores, um partido de esquerda e socialista,
o maior deles no Brasil neste momento. Estava observando a feliz
coincidência de, há setenta e cinco anos, a comunidade Bahá’í ter se
estabelecido no Brasil justamente em Salvador, na Bahia, onde tudo começou
na civilização moderna no Brasil, ou seja, foi lá que houve o
descobrimento, a nossa primeira capital e Salvador é hoje o
maior centro de difusão de cultura popular do país. Esse fato,
carregado de simbologia, felicidade e coincidência, deve ter algum
significado do destino para a presença da comunidade Bahá’í do Brasil.
Fico particularmente feliz por isso, porque sou eleito por São Paulo, mas
sou baiano, nascido em Salvador. (Palmas) Já algum tempo,
através do Deputado Luiz Gushiken e de uma amiga chamada Cláudia, tomei
conhecimento dos princípios que definem e orientam a Comunidade Bahá’í. É
claro que há uma série de princípios elevados, positivos e importantes,
mas tenho maior simpatia e identificação com o do reconhecimento da
unidade da Humanidade, afastando todo tipo de fanatismo, discriminação e
separação de raças, culturas e nações e propondo a necessidade de
construção da unidade da humanidade. Acho que esse princípio tem um
significado político atual e importantíssimo tanto à Comunidade Bahá’í
como para a Humanidade como um todo. Li o documento que a
Comunidade Bahá’i divulgou ano passado, por ocasião do quinqüagésimo
aniversário da Organização das Nações Unidas, segundo o qual esse
princípio será concretizado através de uma série de sugestões
altamente conseqüentes e práticas, para que esse caminho possa ser
trilhado por todos os povos, nações e culturas. Trata-se de sugestões
concretas nas áreas de economia, educação, Legislativo possíveis
atividades executivas no âmbito internacional, etc. Esse documento defende
também a reorganização, de forma construtiva, da Organização das
Nações Unidas, instituição que tantos serviços vem prestando e
tão importante papel vem exercendo na luta pela paz e pela unidade da
Humanidade, embora com todas as suas deficiências, precisando passar por
uma reforma que a coloque à altura das tarefas de que precisamos no nosso
planeta. Esse documento concreto e prático que os senhores divulgaram no
ano passado mostra como esse princípio tem atualidade e, se bem,
aplicado, terá uma conseqüência política muito ampla e profunda em todo o
planeta. Ouço, com muito prazer, o nosso colega, Deputado
Luciano Zica. O SR. LUCIANO ZICA - Obrigado, Deputado
Eduardo Jorge, junto-me à sua fala em homenagem à Comunidade Bahá’í do
Brasil e testemunho que tive contato, na cidade de Campinas, com pessoas
seguidoras da Fé Bahá’í, que me ensinaram muito, particularmente um
cidadão muito simples, trabalhador e batalhador daquela cidade, de nome
Iradj, que me tem colocado em contato com o pensamento daquela Fé. Sou
testemunha da contribuição importante dos representantes da Comunidade
Bahá’í, na cidade de Campinas, para a constituição da possibilidade de
construção de um mundo mais feliz. Diferentemente do que hoje propugna a
globalização, tão falada e propagada no mundo, que não leva em conta a
felicidade das pessoas, a Fé Bahá’í leva em conta a construção de um mundo
de seres humanos felizes. Por isto, acho que cabe a importância
desse pensamento para, inclusive, manifestar-nos diante do governo do Irã,
a fim de que ele respeite, dentro da nação iraniana, a liberdade de
manifestação da Fé Bahá’í (Palmas) porque a construção de um mundo feliz
pressupõe liberdade de manifestação, de crença, religião e comportamento
das pessoas, respeitando-se os interesses e limites de cada indivíduo, mas
pensando numa coletividade feliz. Portanto, associo-me às suas
palavras, no sentido de engrossar esta homenagem e de dar a devida
importância à iniciativa do Deputado Luiz Gushiken, do Partido dos
Trabalhadores.(Palmas)
O SR. EDUARDO JORGE - Concedo o aparte ao nobre colega de
partido, Deputado Paulo Delgado, de Juiz de Fora, Minas
Gerais. Deputado Eduardo Jorge, é uma dupla satisfação falar
numa sessão solene em homenagem à Comunidade Bahá’í e seus
membros. É uma satisfação de caráter pessoal, pois um dos meus filhos -
quando me mudei para Brasília no meu primeiro mandato - estudou em uma
Escola Bahá’í e, até hoje, ele distingue-se dos seus dois irmãos por sua
visão pacifista, universalista e mais generosa. Ele é um pouco professor
dos seus irmãos. (Palmas). É também uma satisfação política, pelo fato de
encontrar, nesta solenidade, duas das personalidades mais ricas do meu
partido: V.Exa. que me concede o aparte, e o deputado Luiz Gushiken, que
pensam que a combinação mais moderna do pensamento no mundo é a
subjetividade colocada a favor das atitudes concretas para melhoria do ser
humano. Os bahá’ís têm uma visão da vida que deve contaminar organizações
internacionais, como a Organização das Nações Unidas, por causa das três
características principais da sua fé, ou seja, a visão universalista,
ecumenista e pacifista. Parabéns aos bahá’ís e muito obrigado a V. Exa.
pela gentileza do aparte. (Palmas)
O SR. EDUARDO JORGE - Agradecendo aos Deputados Luciano Zica
e Paulo Delgado pelos apartes, quero dizer que pensar ser possível a
unidade do gênero humano é algo pouco comum, mas relativamente
mais fácil pelo desenvolvimento de uma série de formas materiais que
possibilitam e indicam que essa visão guiada por um ideal tem uma base
concreta para se realizar. Mas difícil - e isso deve ser motivo de
admiração - é pensar essa possiblidade num mundo de 1840 ou 1850, num país
fortemente clerical e autoritário como o da origem da pessoa. Selecionei
um texto demonstrando que é um grande mérito. Não estou falando do ano de
1996, mas de 1850 ou 1860. É o seguinte: “Haverá de chegar o
tempo em que a necessidade imperiosa da convocação de uma vasta e ampla
assembléia de homens será universalmente percebida. Os governantes e os
reis da Terra terão de tomar parte nela e, participando de suas
deliberações, deverão considerar métodos e meios capazes de assentar os
fundamentos para a Grande Paz Mundial, entre os homens. Tal paz requer que
as grandes potências resolvam, a bem da tranquilidade dos povos
da terra, reconciliar-se plenamente entre si. Se algum rei pegar em armas
contra outro, todos unidos, devem erguer-se e detê-lo. Se isso for feito,
as nações do mundo não mais precisarão de armamentos, exceto para
preservar a segurança de seus domínios e manter a ordem interna dentro do
próprio território ...Aproxima-se o dia em que todos os povos do mundo
terão adotado um idioma universal e uma escrita comum. Quando isso
for realizado, não importa a que cidade um homem viaje, será como se
estivesse entrando no próprio lar ... É homem, verdadeiramente, quem hoje
se dedica ao serviço da humanidade inteira... Não se vanglorie quem ama a
pátria, mas sim quem ama o mundo inteiro. A terra é um só país, e os seres
humanos seus cidadãos.” Isso foi escrito em 1850 ou 1860 - não
sei bem a data. É grande o mérito de quem escreveu esse tipo de
formulação, porque hoje quem se der ao trabalho de examinar sem
preconceito ou dogmatismo, vai ver que praticamente nenhum dos grandes
problemas dos homens, das mulheres, das nações ou dos países pode ser
resolvido por uma única nação ou país. Vejam, por exemplo, o problema das
drogas. Qual é a possibilidade de qualquer nação, mesmo a mais poderosa,
resolver o problema das drogas a partir de suas próprias fronteiras, sem
pensar numa resolução de âmbito mundial? Nenhuma. Isso está provado. É só
visitar os Estados Unidos. Vejam o problema das doenças. As
epidemias respeitam qualquer tipo de fronteira e deixam de voar nas
modernas tecnologias de transporte, estendendo-se instantâneamente por
qualquer ponto do planeta? A fome, as doenças das migrações, vindas dos
chamados países pobres do Terceiro e do Quarto Mundo, se transportam em
direção ao centro do poder financeiro, do capital, de forma irrefreável e
incontrolável. Isso pode ser resolvido com o fechamento de fronteiras ou
com a exclusão ou limitação de pessoas em determinadas áreas do planeta?
Não é possível. Há divisão e crescimento da desigualdade entre os povos,
dentro dos povos e entre as nações. Isso é possível ser resolvido por
iniciativas, por mais força que tenha um país? A defesa do meio
ambiente, a preservação das espécies e todos esses outros problemas que
são verdadeiramente universais e planetários só podem ter solução neste
nível. É uma necessidade não mais de um ideal, mas uma
necessidade material da sobrevivência da humanidade e da Terra. Por isso,
tenho conversado bastante dentro do meu partido e com os setores do nosso
campo, da esquerda e dos setores socialistas, que se postam em relação à
chamada globalização apenas do ponto de vista negativista. Tenho dito que
isso é um erro, por que, se é verdade que o grande capital
financeiro e industrial tem-se aproveitado desse fonômeno da
globalização, aumentado o seu poderio e gerado a desigualdade mais
profunda no mundo inteiro, a globalização, o desenvolvimento dos
mecanismos de transporte, de comunicação, também gera uma única forma
de se superar esse tipo de problema e deixa ir ao seu curso a chamada
globalização. O poderio do capital financeiro do mundo e de sua indústria
só vai acentuar essa desigualdade. Por isso tudo, se eles do capital
financeiro têm essa agilidade e facilidade de acompanhar e usar os
modernos mecanismos de tecnologia, de comunicação e de tranporte, a
sociedade civil, as organizações não governamentais a nível mundial e a
organização das nações, num Estado Federado, tem que se pôr à altura.
Mercado, Estado e Sociedade Civil têm que se equilibrar para tomar e guiar
a humanidade para um caminho justo, um caminho chamado do meio, como já
disse uma religião oriental há muito tempo. É uma necessidade. Se a
sociedade civil, se as nações congregadas no Estado não se ombrearem ao
chamado mercado livre, submergirão a este mercado, que é a barbárie. O
mercado por si só é a barbárie, é a lei do mais forte, é a lei que premia
aqueles que têm mais poder e penaliza aqueles mais fracos e pobres. Por
isso tudo, acho que essa mensagem que V. Sas. vêm divulgando há mais de
cem anos tem atualidade política, é uma oportunidade moral e ética
fundamental para a humanidade neste momento. Mas uma vez, quero somar-me
ao Deputado Luiz Gushiken e a todos os outros Deputados que fazem esta
homenagem a Sra. Ruhíyyih Rabbani. Vi o currículo da Sra. Rabbani e o
Deputado Luiz Gushiken também se referiu a ele aqui. É grande a quantidade
de países, de povos e ilhas que já receberam a sua visita e a sua
mensagem, a qual ela acredita profundamente. Para nós que somos de um país
de forte tradição cristã, onde o peregrino, aquele que prega para a
humanidade já na origem da religião cristã, é uma figura ímpar - vejam São
Paulo, os nestorianos - a pereginação da Sra. Rabbani tem um grande
significação, com uma diferença: Considero que a sua peregrinação à Terra
Santa não está localizada num determinado ponto, porque para V. Sas. e
para a senhora parece que a Terra Santa é todo o planeta. Por isso a
senhora é uma peregrina do planeta. (Palmas.)
O SR. TILDEN SANTIAGO - Deputado Eduardo Jorge, V. Exa.
concede-me um aparte?
O SR. EDUARDO JORGE - Pois não.
O SR. TILDEN SANTIAGO - Nobre Deputado, queria associar-me a
V. Exa. nas referências que aqui fez a todos aqueles que abraçam a Fé
Bahá’í, e o faço pensando em inúmeros amigos e amigas em Minas Gerais que
vivem dessa Fé e com os quais eu aprendi a dialogar valores espirituais de
fontes diferentes das que eu tive na minha formação, mas que muito
aprendi. Gostaria ainda de dizer que todas as espiritualidades deveriam
saber somar na busca dessa centralização das forças espirituais no mundo
inteiro, para que pudesse tirar o nosso mundo da possibilidade do caos em
que coloca, porque, se hoje o homem tem a possibilidade de dar os grandes
passos que são dados, por outro lado, temos em mãos o poder de destruir o
planeta. Acredito que só a conjunção das forças espirituais de todas as
origens - e aí eu acho a Fé Bahá’í é um exemplo de tolerância muito grande
com as demais crenças - nos faria caminhar. Certamente, seria uma força
espiritual muito forte para se contrapor a esse mundo de conflito e de
contradições no qual vivemos. Infelizmente, muitos dos intelectuais hoje
são absorvidos e se perdem no mundo das contradições e não têm esse
horizonte da unidade espiritual, da unidade energética de todo o
universo. (Palmas). Por isso, queria associar-me às palavras de V.
Exa., tendo lido artigo escrito por V. Exa. e pelo Deputado Luiz Gushiken
recentemente na Folha de São Paulo. (Palmas)
O SR. EDUARDO JORGE - Como disse, já encerrei meu
pronunciamento. Apenas afirmo à Sra. Rabbani o valor do depoimento do
nosso colega Tilden Santiago, que foi durante décadas padre da Igreja
Católica. Muito obrigado. (Palmas)
O SR. PRESIDENTE (Wilson Campos) - Ao final desta sessão, a
Mesa cumprimenta a Sra. Rabbani, os demais presentes, principalmente os
convidados e os colegas Deputados. Em 28 de maio de 1992, a
Câmara dos Deputados reuniu-se em sessão solene para celebrar o centenário
da Ascensão de Bahá’u’lláh e, neste mesmo plenário, teve a honra de
receber os mais altos dignatários e membros da Comunidade Bahá’í
no Brasil, além de Parlamentares das duas Casas e tantos quantos se
interessam pelos conceitos que lastreiam a Fé Bahá’í. Nesta mesma ocasião,
lembraram-se os principais passos da vida de Mirzá Husayn-Alí, do
berço ao passamento, com especial destaque à doutrina que embasa
a Fé por Ele fundada, sua expansão pelos cinco continentes e a atuação,
não só no plano espiritual como também na esfera terrena, onde a
Comunidade Bahá’í granjeou reconhecimento internacional, sobretudo por seu
trabalho junto à Organização das Nações Unidas em favor da ecologia, dos
direitos humanos e da prevenção de todas as formas de discriminação. Hoje,
duplamente honrada, a Casa realiza nova sessão, para recepcionar a Sra.
Ruhíyyih Rabbani e evocar os setenta e cinco anos da Fé Bahá’í
em solo brasileiro. É significativa a presença da Sra. Rabbani entre
nós - não só pelos vínculos familiares, que a aproximam de maneira direta
a Bahá’u’lláh, como também pela lembrança que nos traz de outra ilustre
mulher bahá’í Leonora Armstrong, que, em 1921, iniciou o trabalho
espiritual e social que hoje se vê espalhado em todas as unidades da
Federação. Não é a primeira vez que a Sra. Rabbani visita o nosso país -
os amazônidas ainda retêm na memória a viagem que ela liderou por toda a
Amazônia, vinte anos atrás, da qual resultaram projetos relevantes para os
seus habitantes - e agora volta para um extenso programa de visitas em
vários Estados e para participar do I Encontro Latino-Americano pela
Cidadania-Mundial, a se realizar na próxima semana em São Paulo. O tema
central do encontro - “A Prática da Unidade na Diversidade”- evidencia o
cerne da Fé Bahá’í: de um mundo unificado pelos sublimes ideais
de paz e prosperidade humana, sem que para isso se tenha de eliminar a
individualidade que caracteriza cada raça, cada etnia, cada povo, cada
nação, cada Estado Soberano. Não é outro o sentido do moto bahá’í : “A
terra um só país, e os seres humanos seus cidadãos”, palavras de
Bahá’u’lláh, que norteiam as ações da Comunidade. Foi com este
igual ideal que os seguidores de Bahá’u’lláh se espalharam pelo
mundo afora, levando a mensagem maior de fraternidade e de união, sem
quaisquer restrições quanto a cultura, cor ou religião. E foi imbuida
desse mesmo ideal que Leonora Armstrong chegou a nosso país - continental
na sua dimensão, sem por isso deixar de ser uno na diversidade que o
caracteriza. Não causa estranheza, portanto, que aqui se
tenha encontrado solo fértil para sua atuação, desenvolvida, como não
poderia deixar de ser, sobretudo na área social, com destaque na educação.
Hoje, é significativa a contribuição da Comunidade Bahá’í na formação
espiritual, moral e cultural de um grande número de brasileiros, de norte
a sul. Fruto da visão universalista que caracteriza a educação bahá’í, que
pretende formar o ser humano de maneira integral, como um ente ao mesmo
tempo espiritual e material, a Comunidade Bahá’í tem-se destacado pela
contribuição constante que vem emprestando ao povo brasileiro, através de
documentos de reflexão sobre temas fulcrais de interesse da Nação, nos
momentos mais oportunos. Basta que citemos o documento produzido
por ocasião da Assembléia Nacional Constituinte, “Os Bahá’ís e a
Constituinte”, ou, mais recentemente, outro, intitulado “Subsídios Bahá’ís
aos Novos Governantes e Legisladores do Brasil”, tornado público no começo
do ano passado, quando se iniciavam novos mandatos executivos e
legislativos, além, é claro, das considerações que a comunidade vem
apresentando, regularmente, aos órgãos técnicos da ONU, sobremaneira nos
campos da ecologia e dos direitos humanos. São essas algumas
poucas ações de âmbito nacional e mundial, que refletem as diretrizes
básicas da Comunidade Bahá’í de participar, em todos os níveis, do
aperfeiçoamento dos seres humanos onde quer que eles se
congregem - na verdade, resultado do entendimento da religião como
instrumento excelente para o aperfeiçoamento da humanidade em constante
evolução e una na diversidade. Esta sessão solene, portanto,
pretende não só servir de momento de reflexão sobre os ensinamentos da Fé
Bahá’í e recepcionar uma de suas mais insignes líderes, como também
principalmente tornar-se ocasião para o povo brasileiro, que aqui
representamos, patentar sua gratidão pela magnífica obra iniciada entre
nós setenta e cinco anos atrás por Leonora Armstrong. Esta
sessão pretende ainda dar continuidade àquela que em 1992, que tanta
repercussão causou junto à Comunidade Bahá’í Mundial, numa clara
demostração do acerto das palavras de Bahá’u’lláh a respeito da
unidade dos povos e das nações. Na ocasião, esta Casa recebeu mensagens de
saudações de Assembéias Espirituais Nacionais de vinte e cinco países, dos
cinco continentes. Sentiu-se especialmente lisonjada com a mensagem
recebida da Casa Universal de Justiça, a instituição espiritual e
administrativa suprema de Fé Bahá’í, na qual expressa o sentimento que
promoveu aquela sessão, agora renovado, e que tenho a satisfação de
citar: “Nossos corações estão repletos de amor, de apreço por
essa ação da Câmara dos Deputados. Uma iniciativa que
sentimos ter profunda significação espiritual e social para o povo
brasileiro.
Trata-se também de um arrebatador lembrete de importância que Bahá’u’lláh
atribui aos corpos legislativos e aos representantes eleitos pelo povo os
quais deveriam, conforme ele escreveu, considerar a si próprios como
representantes de todos que habitam a Terra.” A toda a
Comunidade Bahá’í, aqui representada na pessoa da Sra. Ruhíyyih Rabbani, a
Casa renova as mais fraternas saudações e a mais sincera gratidão.
O SR. PRESIDENTE (Wilson Campos) - Antes de encerrar a
sessão, concedo a palavra ao Deputado Alcides Modesto para que faça uma
oração a pedido da Sra. Ruhíyyih Rabbani. (Palmas)
O SR. ALCIDES MODESTO (PT-BA Sem revisão do orador) -
Convido a todos a ficarem de pé para que façamos a nossa oração neste
plenário. Oração do Fundador da Fé, Bahá’u’lláh que assim se
expressa: “Ó meu Deus, ó meu Deus! Une os corações de Teus
servos e revela-lhes o Teu grande plano. Que sigam Teus mandamentos e
permaneçam firmes em tua fé. Ó Deus, ajuda-os em seus esforços e
concede-lhes o poder de Te servirem. Em verdade,Tu és seu amparo e seu
Senhor.” (Palmas)
O SR. PRESIDENTE (Wilson Campos) - A Mesa agradece o
comparecimento de todos nesta solenidade e a participação dos partidos,
que se fizeram representar pelos Srs. Deputados, os quais
tiveram a oportunidade de expressar sua fé. Também agradeço ao
Deputado Alcides Modesto, demonstrando sua fé na religião. A ilustríssima
Sra. Rabbani, que aqui se encontra, queremos desejar que em
nosso país e em todo o continente latino-americano seja bem sucedida na
pregação que vai fazer por algum tempo, como foi dito horas atrás.
Nada mais havendo a tratar, vou encerrar a presente sessão...
ORDEM DO DIA Está encerrada a sessão. (Levanta-se a sessão
as 17h10).”
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