Chama Sião, ó Carmelo...
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No dia 31 de agosto de 1987, a Casa Universal de Justiça anunciou aos seguidores
de Bahá'u'lláh, em todo mundo, que se abria, então, à comunidade bahá'í, a
oportunidade de construir os edifícios restantes do seu Centro Mundial nas
encostas da Montanha Sagrada de Deus, no Monte Carmelo.
O início do Projeto do Arco
Com essa declaração a Casa Universal de Justiça apresentava a etapa culminante
de um projeto de quase cem anos iniciado por Bahá'u'lláh com a revelação da
Epístola do Carmelo, a Carta Régia do Centro Mundial de Sua Fé, que criou
"a metrópolis do Reino de Deus na terra". O Centro Mundial Bahá'í
se desenvolveu através de acontecimentos dramáticos e esforço permanente numa
terra que durante todo esse século resistiu a guerras e tumultos. Começou
com a visita de Bahá'u'lláh ao Monte Carmelo. Continuou com os esforços de
'Abdu'l-Bahá para iniciar a construção das seis câmaras originais do Santuário
do Báb e ali sepultar os restos mortais do Manifestante Precursor.. Expandiu-se
dramaticamente na administração do Guardião, através da conclusão do Santuário
do Báb e a instalação da superestrutura da sua cúpula dourada, a compra de
lotes de terra no outro lado da frente do Monte Carmelo, a criação dos jardins
e terraços preparando o caminho para o Santuário e o projeto de um Arco sob
o aparo do Santuário que abrigaria as agências administrativas da Fé, iniciadas
com a construção do edifício dos Arquivos. Com o estabelecimento da Casa Universal
de Justiça, se conseguiu sua etapa atual de desenvolvimento com a construção
da Sede do Corpo Supremo.
Agora a última, e talvez a fase mais desafiadora do desenvolvimento do Centro
Mundial, encontra-se à frente do mundo bahá'í. Envolve a conclusão dos três
edifícios restantes no Arco, a ampliação do edifício dos Arquivos e a conclusão
dos terraços, da base ao topo do Monte Carmelo. Não persiste nenhum obstáculo
à culminação dos 100 anos de labor, exceto a nossa própria relutância em agir.
Nos dias mais sombrios do Seu aprisionamento em Akká, Bahá'u'lláh escreveu:
"Não temais. Estas portas serão abertas, minha tenda será armada no Monte
Carmelo e o máximo regozijo se realizará". Após nove anos de encarceramento
na "Maior Prisão", a despeito da ordem explícita de confinamento
pelo sultão da Turquia, o mufti (intérprete da lei islâmica) da cidade, ele
mesmo, veio a Bahá'u'lláh para solicitar-lhe deixar os limites dos muros da
cidade.
Quatro vezes Bahá'u'lláh caminhou no Monte Carmelo. Na última visita em 1891,
que durou três meses, Ele pôs em movimento o processo que estava para transformar
a aparência do Carmelo e a impulsioná-lo para o seu fadado desenvolvimento.
"Um dia, recorda Balyusi, quando permanecia perto de alguns ciprestes
solitários aproximadamente a meio caminho acima das encostas do Monte Carmelo
Bahá'u'lláh apontou para uma extensão de rocha imediatamente abaixo de Si,
dizendo a Seu filho mais velho que naquele ponto deveria ser construído o
mausoléu para cultuar os restos mortais do Profeta-Mártir, o glorioso Arauto
do Seu próprio advento..."
Foi também nesta visita que Bahá'u'lláh revelou Sua Epístola do Carmelo, num
promontório acima da Cova de Elias. "Rendei agradecimentos a vosso Deus,
ó Carmelo," escreveu Bahá'u'lláh. "Regozijai-, pois, Deus estabeleceu,
neste dia, sobre vós o Seu Trono e fez-vos o repositório dos seus sinais e
a alvorada das evidências da Sua Revelação.
O Carmelo, os cristão acreditavam ser aonde Cristo deveria retornar na glória
do Pai. Os templários alemães estabeleceram uma colónia no sopé do Monte Carmelo.
Uma ordem cristã, séculos antes, construíra um mosteiro perto da cova de Elias,
esperando Cristo abençoá-lo com Sua presença. Bahá'u'lláh esteve na colónia
germânica e visitou o mosteiro, contudo, nem os templários nem os monges reconheceram-No.
Tendo falhado em apreciar o Seu status não foram capazes de se unir e servir
ao Objeto do desejo dos seus corações
Sobre a Epístola do Carmelo
Na Epístola do Carmelo, Bahá'u'lláh escreveu: "Chama Sião, ó Carmelo,
e anuncia as boas novas: Aquele que estava oculto aos olhos dos mortais é
chegado. Sua onitriunfante soberania está manifesta e Seu onienvolvente esplendor
está revelado. Estai alerta para não vacilardes ou parardes. Apressai-vos
adiante e circungirai a Cidade de Deus que desceu do céu, a Caaba celestial
em torno da qual circularam em adoração os favorecidos de Deus, os puros de
coração e a companhia dos anjos mais exaltados... Verdadeiramente este é o
Dia no qual, tanto a terra como o mar, se regozijam por esta proclamação,
o dia para o qual foram guardadas estas coisas que Deus, pela generosidade
além da mente e coração mortais, destinou para a revelação. Em breve, Deus
desfraldará majestosamente o Seu Arco sobre vós e manifestará o povo de BAHÁ
que foi mencionado no Livro dos Nomes."
A "Cidade de Deus" e "a Caaba Celestial", explicou Shoghi
Effendi, se referem ao Santuário do Báb. "... exatamente como no reino
do espírito, a realidade do Báb foi aclamada pelo Autor da Revelação Bahá'í
como O Ponto em torno de quem giram as realidades dos Profetas e Mensageiros,
por conseguinte, neste plano visível Suas sagradas relíquias constituem o
coração e o centro do que pode ser considerado como nove círculos concêntricos..."
O círculo mais afastado, declara Shoghi Effendi, é o próprio planeta, o mais
profundo é o "sarcófago alabastrino no qual está depositada a jóia mais
inestimável, as santas cinzas do Báb. "Tão preciosas são estas cinzas
que a própria terra circundando o edifício cultuando-as, foi exaltada pelo
Centro do Convênio de Bahá'u'lláh... ao passo que o túmulo mesmo, que abriga
estas cinzas Ele proclamou como o ponto em torno do qual o Concurso do alto
circula em adoração". É para este Ponto Sagrado que "como intuiu
'Abdu'l-Bahá, "reis peregrinos ascenderão para prestar humilde tributo"
ao Arauto-Mártir da Fé de Bahá'u'lláh.
O Arco descrito na Epístola do Carmelo, observou o Guardião, é o "estabelecimento
do Centro Administrativo Mundial da Fé no Monte Carmelo". Este centro
inclui "edifícios previstos por 'Abdu'l-Bahá para abrigar agências auxiliares,
seguindo uma órbita circular em torno das instituições gêmeas da Guardiania
e a Casa de Justiça".
Estes Edifícios circundarão, na forma de um arco dilatado e seguindo e um
estilo harmônico de arquitetura, os locais de repouso da Mais Sagrada Folha...
do irmão dela... e da mãe deles... A conclusão definitiva deste empreendimento
estupendo marcará a culminação do desenvolvimento de uma Ordem Administrativa
de amplitude mundial e divinamente estabelecida cujos primórdios podem se
remontar aos anos distantes da Era Heróica da Fé. Este processo amplo e irresistível,
sem precedente na história espiritual da humanidade e que se sincronizará
com duas evoluções não menos significativas - o estabelecimento da Paz Menor
e a evolução das instituições bahá'ís - atingirão a sua meta na Era Áurea
da Fé, através da elevação do padrão da Maior Paz e a emergência, na plenitude
do seu poder e glória, do Centro focal das agências constitutivas da Ordem
Mundial de Bahá'u'lláh. O estabelecimento final da Sede da futura Comunidade
Mundial Bahá'í sinalizará, de imediato, a proclamação da soberania do Fundador
da nossa Fé e o advento do Reino do Pai repetidamente louvado por Jesus Cristo.
Foram dezoito anos antes que 'Abdu'l-Bahá pudesse cumprir a responsabilidade
a Ele atribuída por Bahá'u'lláh na visita ao Monte Carmelo. As intrigas dos
rompedores do Convênio e a hostilidade governamental tornaram difícil cada
passo tomado concernente à construção do mausoléu. "Cada pedra daquele
prédio, cada pedra que a ele levava, afirmou 'Abdu'l-Bahá, levantei-a e coloquei-a
com lágrimas infinitas e a um custo tremendo."
Finalmente, no dia 21 de março de 1909, 'Abdu'l-Bahá pode concluir Sua meta.
Shoghi Effendi descreveu as circunstâncias daquele dia: "'Abdu'l-Bahá
fez transportar o sarcófago de mármore com muito trabalho para a câmara mortuária
para ele preparada e à noite, com a luz de uma única lâmpada, ali colocou,
com suas próprias mãos - na presença de crentes do oriente e do ocidente e
em circunstâncias ao mesmo tempo solene e comovente, o ataúde de madeira contendo
os sagrados restos mortais do Báb e do Seu companheiro."
"Quando tudo estava terminado e os vestígios terrenos do Profeta-Mártir
de Shiraz foram finalmente depositados em segurança no seio da Montanha Sagrada
de Deus para o seu repouso eterno. 'Abdu'l-Bahá pôs de lado o Seu turbante,
retirou os sapatos e tirou Seu manto e curvou-se baixo sobre o sarcófago ainda
aberto, Sua cabeleira prateada tremulando na cabeça e Seu rosto transfigurado
e luminoso, repousando em Sua fronte na beira do caixão de madeira e, soluçando
alto, chorou com tal ímpeto que todos os que estavam presentes choraram com
Ele. Naquela noite Ele não pode dormir, tão esmagado estava pela emoção.
O Arco e a Paz Menor
A afirmação do Guardião de que a construção do Arco e o desenvolvimento do
Centro Mundial serão sincrônicos com o estabelecimento da paz menor e a maturação
das asembléias nacionais e locais exemplificam o significado espiritual da
tarefa à mão. O problema é mais do que construções de prédios. É o desdobramento
de um processo vital no Plano de Deus - um processo essencial num período
crucial da história humana, um momento decisivo no destino da humanidade.
"Os ventos de Deus se enfurecem", escreveu a Casa Universal de Justiça
na sua mensagem de Ridván de 1990, "perturbando os velhos sistemas, acrescentando
incentivos ao profundo anseio por uma nova ordem nas relações humanas e abrindo
o caminho para o hasteamento da bandeira de Bahá'u'lláh em terras onde, até
então, esteve excluída. A rapidez das mudanças sendo operadas mexe nas expectativas
que inspiram os nossos sonhos no término da década do século vinte".
Nos seus escritos o Guardião descrevia e esperava "conversão em massa
da parte destas mesmas nações e raças e como um resultado de uma cadeia de
eventos graves e, possivelmente, de natureza catastrófica e que, por enquanto,
não podem ser, mesmo obscuramente, visualizados, revolucionarão repentinamente
os haveres da Fé, desarranjarão o equilíbrio do mundo e fortalecerão, mil
vezes mais, a força numérica bem como o poder material e a autoridade espiritual
da Fé de Bahá'u'lláh." A Casa Universal de Justiça observou: "Este
é o tempo para o qual devemos nos preparar; esta é a hora cuja vinda é nossa
tarefa apressar."
"A grande obra de construir terraços e planejar ajardinamentos nos seus
arredores e edificar os edifícios restantes do Arco," escreveu a Casa
Universal de Justiça, "trarão à vida uma estrutura do Centro Mundial
grandemente aumentada que será capaz de vir de encontro aos desafios de séculos
vindouros e do formidável crescimento da comunidade bahá'í que o amado Guardião
disse-nos para esperar". Além de se preparar para as necessidades materiais
deste esperado crescimento, o desenvolvimento do Centro Mundial também libera
as energias espirituais necessárias para a sua concretização e para o incremento
dos outros processos do Plano de Deus para a humanidade. "Já vemos o
efeito das energias espirituais que a conclusão da Sede da Casa Universal
de Justiça liberou e o novo impulso que isto trouxe para o avanço da Fé. Quem
pode aferir quais transformações serão efetuadas como resultado da conclusão
de cada estágio sucessivo deste grande empreendimento?
Quando Shoghi Effendi se tornou Guardião em 1921, as propriedades bahá'ís
em Haifa consistiam do Santuário do Báb, uns poucos lotes de terrenos e a
casa de 'Abdu'l-Bahá. Tão precária era a situação da Fé que em 1922, Muhammad-Alí,
meio-irmão de 'Abdu'l-Bahá e o principal violar do Convênio de Bahá'u'lláh,
apoderou-se das chaves do Túmulo Sagrado de Bahá'u'lláh. Shoghi Effendi foi
atormentado por uma variedade de provações que assaltaram-no, partindo de
dentro e de fora da Causa.
Posteriormente, Shoghi Effendi recuperou as chaves do Túmulo. ele planejou,
quando levantou a estrutura administrativa da Fé no mundo, por em segurança
o centro da Fé na Terra Santa. Este processo abarcou toda a extensão do seu
ministério e envolveu a evolução das instituições internacionais bahá'ís,
tais como o estabelecimento das Mãos da Causa, o Conselho Internacional Bahá'í,
a ampliação e embelezamento dos Santuários e propriedades.
O trabalho de Shoghi Effendi no Santuário do Báb exemplificou a extensão do
seu envolvimento nesta obra: da visão à supervisão da construção real . Ruhíyyih
Khánum explicou: "Durante 1948 o próprio Shoghi Effendi incumbiu-se -
pela segunda vez em vinte anos - da escavação da rocha atrás do Santuário,
a fim de alargar a área, suficientemente, para ser construída a arcada. Este
foi um enorme trabalho envolvendo a remoção de centenas de metros quadrados
de rocha... Desde manhã cedo até escurecer, freqüentemente, mais de oito horas
em pé, dia após dia e mês após mês, ele dirigia o trabalho. Certamente não
era tarefa sua fazer isto, mas, ele estava determinado a assegurar que fosse
feito, não apenas rápida, mas, economicamente e não havia ninguém mais com
força de vontade e vigor exigido para tomar o seu lugar. Foi com maneiras
como estas, com determinação infatigável e perseverança persistente que Shoghi
Effendi fez dos Lugares Sagrados no Centro Mundial aquilo que os nossos olhos
hoje vêem.
O Arco será construído. A Paz Menor será estabelecida. Haverá conversão em
massa para a Fé de Bahá'u'lláh. Os crentes, no entanto, não podem esperar
para que estas coisas ocorram. "Este é o tempo para qual devemos nos
preparar agora; esta é a hora cuja vinda é nossa tarefa apressar" "...
não é para nós esperarmos passivamente pelo cumprimento definitivo da visão
de Shoghi Effendi. Nós poucos, colocando toda nossa confiança na providência
divina e considerando como um privilégio divino os desafios que enfrentamos,
devemos ir em direção à vitória com os planos nas mãos.
A velocidade do progresso do projeto dependerá da participação e sacrifício
de cada crente individual. Em 1987 a Casa Universal de Justiça indicou que
devemos "acumular rapidamente uma reserva de cinqüenta milhões de dólares,
nos quais, os planos para a construção podem realisticamente começar a ser
executados". A partir de janeiro de 1990 tinham sido contribuídos US$
26 milhões; o equilíbrio restante era "necessitado urgentemente agora"
observou o Corpo Supremo. A resposta do mundo bahá'í empurrou este total para
mais de US$ 43 milhões até outubro de 1990. O número US$ 50 milhões, entretanto,
representa apenas a soma necessária para iniciar a construção.
Onde estão os crentes de substância que, exatamente como o afnán que doou
sua fortuna para o primeiro Mashriqu'l-Adkár em Ishaqábád, derramarão sua
riqueza em abundância para o progresso da Fé? Do seu exemplo famoso 'Abdu'l-Bahá
escreve: "O afnán despendeu tudo que possui para levantar este edifício,
exceto pela soma insignificante. Esta é a maneira de fazer um sacrifício.
Isto é o que significa ser fiel."
Onde estão, também, os crentes que, embora privados de posses materiais significativas,
como a mulher que vendeu seu cabelo para contribuir para o Templo Mãe do Ocidente,
em Wilmette, encontrarão uma maneira de sacrificar-se pela Causa do seu Bem-Amado?
A ela 'Abdu'l-Bahá escreveu: "Tivésseis vós solicitado a minha opinião,
de maneira alguma teria consentido que devêsseis cortar sequer um único fio
dos vossos belos e ondulados cachos; não, eu mesmo teria contribuído em vosso
nome para o Mashriqu'l-Adkár. Essa vossa ação, entretanto, é um testemunho
eloqüente do vosso nobre espírito de dedicação... E embora seja essa parte
perecível do vosso corpo que sacrificastes no caminho de Deus, contudo...,,
obtereis glória imperecível e alcançareis a vida eterna."
Em
24 de maio de 1990, a Casa Universal de Justiça anunciou ao mundo bahá'í o
início da obra nos terraços. O projeto para a conclusão do Arco começou.